

Entidade criada em março deste ano e presidida pela médica cardiologista Ludhmila Hajjar, da Faculdade de Medicina da USP, ficou em primeiro lugar no resultado preliminar do chamamento público do Ministério da Saúde para definir a organização que será responsável por gerir o primeiro Hospital Inteligente do SUS.
O edital prevê contrato de R$ 1,9 bilhão, desembolsado nos primeiros quatro anos dos 10 previstos no total. Entre as atribuições, a instituição deverá executar atividades de “apoio à implementação da rede de UTIs Inteligentes” e do Instituto Tecnológico de Emergência (ITE), nome oficial do Hospital Inteligente. A unidade será instalada dentro do complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Idealizado e coordenado pela própria Ludhmila, o projeto foi viabilizado após o governo federal tomar empréstimo de R$ 1,7 bilhão no Banco do Brics, que desde 2023 é presidido pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
A assinatura do contrato foi celebrada em janeiro deste ano, em evento com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), de Dilma e de Ludhmila (foto em destaque).
Em 2021, a cardiologista goiana foi cogitada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) para substituir Eduardo Pazzuelo no comando do Ministério da Saúde, mas recusou o convite. À época, viralizou um vídeo em que a profissional aparece cantando a música “Amor, I Love You” para Dilma no hospital. O vídeo chegou a ser postado nas redes sociais da então presidente do PT, Gleisi Hoffman.
Fundação recente
De acordo com dados da Receita Federal, o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI) foi criado em 4 de março deste ano. O edital do chamamento saiu pouco mais de três meses depois, em junho de 2026. O resultado preliminar, publicado no Diário Oficial da União de 24 de julho, apontou o ITMI como o primeiro colocado.
Além de Ludhmila, no quadro societário constam como diretores da entidade o neurocirurgião Carlos Gilberto Carlotti Júnior, reitor da USP até janeiro deste ano; o empresário Guilherme Pellegrini Mammana; o advogado Antônio Pedro Lovato; e os médicos Tarcisio Eloy Pessoa de Barros Filho, Fábio Biscegli Jatene e Giovanni Guido Cerri, ligados à Faculdade de Medicina da USP.
A segunda colocada no chamamento foi a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), entidade criada em 1971 e que possui contratos para gerir centenas unidades de saúde espalhadas por São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Ceará.
Após a análise de eventuais recursos apresentados pelas concorrentes, a publicação do resultado final ocorrerá na próxima quarta-feira (12/8), segundo o cronograma.
A coluna tentou contato com Ludhmila Hajar. O espaço segue aberto para manifestação. Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que o chamamento está em andamento, “em conformidade com todas as regras previstas pela legislação”.
*Com informações do site Metrópoles.
Foto: Reprodução/Ricardo Stuckert.