

Muito se tem falado sobre as terras raras brasileiras nesse período de campanhas eleitorais. Mas pouco se sabe sobre o assunto. Pedi auxílio à IA (Chat GPT) para colocar um pouco de luz sobre o assunto. A publicação deste artigo vai ser feita em duas partes.
O aproveitamento das terras raras brasileiras representa uma oportunidade de diversificação da mineração nacional e de inserção do país em cadeias industriais estratégicas. Esses elementos — como neodímio, praseodímio, disprósio, térbio, lantânio, cério e ítrio — são utilizados na fabricação de ímãs permanentes, motores elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, catalisadores, ligas metálicas, sistemas de defesa e tecnologias de baixo carbono.
Embora o Brasil possua importantes recursos minerais contendo terras raras, o país ainda participa de forma limitada das etapas de maior valor agregado. A maior parte da produção mundial está concentrada na Ásia, especialmente em países que dominam não apenas a extração, mas também a separação química, a produção de óxidos, ligas metálicas e ímãs permanentes. Dessa forma, o principal desafio brasileiro não é apenas extrair o minério, mas estruturar uma cadeia industrial integrada, ambientalmente segura e economicamente competitiva.
A primeira etapa consiste na identificação, avaliação e desenvolvimento das reservas. Os minerais de terras raras podem ocorrer em diferentes ambientes geológicos, associados a argilas iônicas, carbonatitos, monazita, xenotima, fosfatos, depósitos de areia mineral e rejeitos de outras operações, como mineração de fosfato e nióbio.
Após a lavra, o minério é submetido à britagem, moagem, classificação granulométrica e concentração física. Dependendo da mineralogia, podem ser utilizados processos como separação gravítica, magnética, flotação, classificação hidráulica e concentração eletrostática. O objetivo é produzir um concentrado com maior teor de óxidos de terras raras — conhecido pela sigla TREO, ou “total de óxidos de terras raras” — reduzindo o volume de material encaminhado às etapas químicas.
Como referência para um projeto de porte médio, pode-se considerar o processamento de 300 mil toneladas de minério por ano, com teor médio de 1,2% de TREO. Admitindo-se recuperação global de aproximadamente 75%, o empreendimento poderia produzir cerca de 2.700 toneladas anuais de TREO contido em concentrado ou carbonato misto. Esses números são meramente indicativos e dependem da mineralogia, da escala e do método de beneficiamento.
A planta de concentração exigiria investimentos em mina, estradas internas, sistemas de britagem e moagem, equipamentos de separação, barragens ou estruturas de disposição de rejeitos, estação de tratamento de água, subestação elétrica e infraestrutura de apoio. O projeto também deveria prever o aproveitamento de rejeitos, a recirculação de água e o monitoramento de possíveis elementos radioativos, especialmente quando houver presença de tório ou urânio associados à monazita.
A segunda etapa é a purificação, separação e produto final. O concentrado mineral não possui, por si só, o valor comercial dos produtos utilizados pela indústria. Para alcançar maior valor agregado, é necessário realizar a abertura química do concentrado, seguida de lixiviação, remoção de impurezas, precipitação, extração por solventes, troca iônica e etapas de separação individual.
A abertura química pode utilizar ácido sulfúrico, ácido clorídrico, soda cáustica ou outros reagentes, conforme as características do minério. Em seguida, são removidos ferro, alumínio, cálcio, fósforo e demais contaminantes. A separação individual dos elementos é uma das etapas mais complexas, pois as terras raras apresentam propriedades químicas muito semelhantes entre si. Por essa razão, as plantas industriais utilizam várias dezenas ou centenas de estágios de extração por solventes.
O primeiro produto comercial pode ser um carbonato misto de terras raras, com menor investimento e complexidade operacional. Entretanto, o maior valor econômico está na produção de óxidos separados, como óxido de neodímio-praseodímio, óxido de lantânio, óxido de cério, óxido de samário, óxido de disprósio e óxido de térbio. Esses produtos podem ser vendidos para fabricantes de ligas metálicas, catalisadores, componentes eletrônicos e ímãs permanentes. Em uma segunda fase, o empreendimento poderia avançar para a produção de metais, ligas de neodímio-ferro-boro e, eventualmente, ímãs permanentes. (Continua no próximo artigo).
Adary Oliveira é engenheiro químico e professor (Dr.)