

Uma perícia realizada pela especialista em propriedade intelectual Caroline Nunes aponta que o plano de governo do ex-prefeito de Salvador e candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), apresenta 56,7% de probabilidade de origem sintética, indicando possível uso de inteligência artificial (IA) na elaboração do documento. As informações foram divulgadas pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Segundo o parecer, o resultado sugere que o texto pode ter sido parcialmente redigido ou reescrito com auxílio de ferramentas de IA. A análise avaliou todo o programa de governo e identificou o que classificou como uma “dispersão incompatível com autoria única e homogênea”.
Os trechos analisados apresentaram probabilidades que variam de 0% a 91% de origem sintética, indicando uma possível combinação entre escrita humana e recursos de inteligência artificial.
De acordo com o relatório, 12 dos 50 blocos examinados registraram mais de 80% de probabilidade de origem sintética. Os maiores índices foram encontrados nos capítulos sobre segurança pública, desenvolvimento econômico, educação, turismo, cultura, economia criativa e transformação digital.
Já os capítulos voltados à infraestrutura e ao sistema socioeducativo apresentaram os menores percentuais, indicando maior predominância de autoria humana.
Padrões de linguagem
A perícia também identificou repetição de estruturas argumentativas ao longo do documento. Entre os exemplos citados estão 45 ocorrências do modelo “Não é X. É Y.”, além de 35 registros da estrutura “não X — Y” e 22 do padrão “não X, mas Y”.
O relatório ainda destaca o uso frequente de termos como “governança”, “monitoramento”, “território”, “integrado”, “em tempo real” e “Novo Governo” em diversos capítulos.
Segundo a especialista, esses padrões podem indicar uma padronização textual compatível com processos de reescrita automatizada. No entanto, o próprio parecer ressalta que a metodologia utilizada não permite concluir se essa uniformização decorre de revisão editorial humana ou do uso de ferramentas de inteligência artificial.
Defesa admite uso de IA para revisão
Procurada pela reportagem, a assessoria de ACM Neto confirmou que utilizou inteligência artificial durante a elaboração do plano de governo, mas afirmou que a tecnologia foi empregada apenas na revisão do texto.
“Todas as propostas e ideias de gestão contidas no plano de governo foram elaboradas sem o uso de inteligência artificial”, informou a equipe do candidato.
Segundo a assessoria, a IA foi utilizada exclusivamente para revisão, correção ortográfica e checagem textual. A defesa também ressaltou que o próprio relatório reconhece limitações metodológicas e afirma que os resultados não constituem prova conclusiva sobre a autoria do documento.
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