quarta, 29 de julho de 2026
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TAXAÇÕES DOS EUA DEVEM ATINGIR APENAS 1,8% DO AGRO BAIANO, COM IMPACTOS REGIONALIZADOS

Matheus Souza - 29/07/2026 14:59

A nova tarifa de 12,5% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos importados soma-se à alíquota de 25% já estabelecida anteriormente pelo presidente norte-americano Donald Trump. Apesar disso, os efeitos sobre o agronegócio baiano tendem a ser limitados, atingindo diretamente apenas 1,8% do total exportado pelo setor. A estimativa é de um estudo técnico elaborado pela assessoria econômica do Sistema Faeb/Senar.

Entre julho e dezembro de 2025, o agronegócio baiano exportou US$ 3,6 bilhões para o mercado internacional. Desse montante, US$ 222,54 milhões tiveram como destino os Estados Unidos, o equivalente a 6,1% das exportações do setor no estado.

Do total embarcado para o mercado norte-americano, 68% (US$ 151,54 milhões) estão contemplados na lista de exceções e permanecem isentos das novas medidas tarifárias. As alíquotas adicionais incidirão diretamente sobre 29,1% dessas exportações (US$ 64,73 milhões), enquanto outros 2,8% (US$ 6,27 milhões) ainda aguardam definição técnica sobre o enquadramento.

Impacto concentrado em poucas cadeias

Como apenas 29,1% das exportações destinadas aos Estados Unidos serão efetivamente tributadas, a parcela do agronegócio baiano exposta às novas tarifas corresponde a aproximadamente 1,8% das exportações globais do setor.

Os principais produtos da pauta exportadora permanecem isentos, entre eles a celulose convencional (US$ 51,83 milhões), a manteiga e o óleo de cacau (US$ 38,68 milhões) e a manga (US$ 31,46 milhões). Água de coco, cacau em pó e café em grão também seguem na lista de exceções.

O principal ponto de atenção é a pasta química de madeira para dissolução. Com US$ 49,43 milhões exportados aos Estados Unidos no segundo semestre de 2025, o produto passou a ficar sujeito à incidência acumulada de até 37,5% em tarifas. Sozinho, responde por cerca de 76% de todo o valor tarifado do agronegócio baiano.

Sisal, mel e pescados exigem atenção no interior

As novas tarifas também acendem um alerta para cadeias produtivas regionais fortemente dependentes do mercado norte-americano. Os cordéis de sisal passam a enfrentar uma taxa adicional de 12,5% sobre os US$ 6,63 milhões comercializados. Estimativas apontam que entre 70% e 80% das exportações baianas desse produto têm como destino os Estados Unidos.

O mel natural (US$ 1,72 milhão) e os pescados (US$ 3,45 milhões) também passam a ser tributados em 12,5%. No caso do pescado, cerca de 80,4% das vendas destinadas aos Estados Unidos foram atingidas. Já os calçados de couro (US$ 2,75 milhões) e as uvas frescas (US$ 1,55 milhão) ficam sujeitos à incidência acumulada de até 37,5%.

Simulações realizadas pela assessoria econômica indicam que, mesmo em um cenário mais severo, com retração de 30% das vendas ao mercado norte-americano, equivalente a uma perda de US$ 19,42 milhões, o impacto sobre o total das exportações do agronegócio baiano seria de apenas 0,53%.

Na avaliação da assessoria econômica do Sistema Faeb/Senar, o desafio deixa de ser generalizado e passa a se concentrar em cadeias produtivas e regiões específicas. Por isso, a entidade defende medidas voltadas à diversificação dos mercados de destino, ao fortalecimento das cadeias mais dependentes e ao aumento da competitividade das empresas afetadas.

 

Fotos: CNA/Ueslei Costa

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