

O Partido Liberal (PL) no Ceará oficializou o apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual durante a convenção da legenda, consolidando uma aliança que vinha provocando divergências internas no grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão também se tornou um dos principais pontos de conflito entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. A articulação estadual do partido no Ceará gerou críticas de setores do bolsonarismo, principalmente pela aproximação com Ciro, que historicamente faz oposição ao grupo.
Após a oficialização da aliança, Ciro Gomes agradeceu o apoio recebido e afirmou que a união entre partidos com trajetórias diferentes é necessária diante do cenário político do Ceará.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o pré-candidato disse ter recebido a decisão com “muita felicidade” e “profunda honra”. Segundo ele, o momento exige que diferenças políticas sejam deixadas de lado em busca de uma solução para os problemas do estado.
“Nosso estado está passando por um momento muito grave. Esse problema pede que sejamos capazes, como o PL está demonstrando de forma exemplar, de colocar de lado nossas diferenças”, declarou.
A aproximação entre o PL cearense e Ciro Gomes gerou críticas de Michelle Bolsonaro. Em dezembro de 2025, quando o acordo ainda estava em negociação, a ex-primeira-dama questionou publicamente a aliança e citou o deputado federal André Fernandes (PL-CE), apontado como um dos articuladores da aproximação.
“Tenho orgulho de vocês. Mas fazer aliança com um homem que é contra o maior líder da direita? Isso não dá”, afirmou na ocasião.
Na última segunda-feira (22), Michelle voltou a se manifestar contra Ciro nas redes sociais. Segundo ela, o objetivo do pré-candidato não seria apenas derrotar o governador Elmano de Freitas (PT), que busca a reeleição, mas também atender a interesses próprios no cenário político estadual. A ex-primeira-dama afirmou ainda que pretende publicar um vídeo explicando sua posição sobre o episódio.
Após a convenção, André Fernandes afirmou que a aliança tem caráter exclusivamente local e foi construída com o objetivo de disputar o governo do Ceará contra o PT.
O deputado também negou que o acordo inclua qualquer compromisso de Ciro Gomes apoiar a eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Outro ponto de tensão foi a escolha dos nomes para a disputa ao Senado. O PL decidiu não lançar a deputada federal Priscila Costa (PL-CE), que tinha apoio de Michelle Bolsonaro, e oficializou o deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE), pai de André Fernandes, como integrante da chapa ao lado de Ciro Gomes.
A decisão reforçou as divergências internas dentro do partido e evidenciou os desafios do PL para conciliar alianças regionais com as estratégias políticas nacionais da legenda.
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