

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu a criação de um grupo de trabalho para buscar alternativas e reduzir os impactos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A proposta foi apresentada nesta quinta-feira (23) pelo presidente da entidade, Ricardo Alban, após reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa.
Segundo Alban, o objetivo é reunir representantes do setor produtivo, do governo e de instituições ligadas à indústria para discutir estratégias de negociação e avaliar medidas de proteção aos exportadores brasileiros.
A iniciativa prevê a realização de uma nova missão da Nova Indústria Brasil (NIB) aos Estados Unidos, com a participação de federações estaduais da indústria, integrantes do Sistema S, como Sebrae, Senai e Sesc, além de representantes do governo federal.
Ricardo Alban afirmou que o Brasil precisa manter o diálogo com o mercado americano e preservar as relações comerciais existentes.
“Também queremos entender como podemos aprender sobre essa situação incluindo em uma política industrial. Temos que preservar todas as relações comerciais que existem”, declarou após o encontro com o ministro.
Para a CNI, a criação do grupo de trabalho pode ajudar a identificar caminhos para minimizar os efeitos das tarifas e fortalecer a competitividade da indústria brasileira diante das novas barreiras comerciais.
Os Estados Unidos anunciaram, em 15 de julho, uma tarifa de 25% sobre exportações brasileiras, após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais do Brasil.
Após o anúncio, o governo brasileiro tentou negociar uma revisão da medida com autoridades americanas, mas as conversas não resultaram na retirada das tarifas.
O governo brasileiro classificou a decisão como desproporcional e afirmou que pretende defender os interesses comerciais do país.
Na quinta-feira (23), o governo americano anunciou uma nova tarifa adicional de 12,5%, relacionada a uma investigação sobre medidas adotadas por países para combater a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.
A nova cobrança deve ser aplicada de forma cumulativa com a tarifa anterior, elevando o total sobre determinados produtos brasileiros para 37,5%.
A CNI avalia que o cenário exige articulação entre governo e setor privado para buscar soluções e evitar prejuízos aos exportadores nacionais.
Foto: Samuel Reis / Metrópoles