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NOVA INSULINA COMEÇA A SER DISTRIBUÍDA NA BAHIA PARA PACIENTES COM DIABETES PELO SUS

VICTOR OLIVEIRA - 21/07/2026 18:36

A Bahia começou a receber a insulina glargina, novo medicamento que passa a integrar gradualmente o tratamento de pacientes com diabetes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O estado recebeu 30.854 tubetes de insulina glargina e 8.126 canetas reutilizáveis para aplicação do medicamento.

A distribuição faz parte de uma iniciativa do Ministério da Saúde para substituir gradualmente a insulina NPH pela glargina em grupos específicos de pacientes. Até esta terça-feira (21), o governo federal já havia enviado cerca de 383 mil tubetes do medicamento para todos os estados brasileiros, com previsão de conclusão da entrega dos insumos até o fim do mês.

Neste primeiro momento, a insulina glargina será destinada a crianças e adolescentes de 2 a 18 anos incompletos com diabetes tipo 1 e a idosos com 70 anos ou mais diagnosticados com diabetes tipo 1 ou tipo 2.

A insulina glargina é uma insulina basal de ação prolongada, criada para manter níveis mais estáveis de insulina no organismo ao longo do dia. Diferente de outros esquemas terapêuticos, que podem exigir mais aplicações diárias, a glargina geralmente é utilizada uma vez ao dia, facilitando a rotina de muitos pacientes.

De acordo com especialistas, o medicamento apresenta um perfil de ação mais previsível, podendo auxiliar no controle da glicemia e reduzir episódios de hipoglicemia em pacientes selecionados e acompanhados pela equipe de saúde.

Para a nutricionista clínica e esportiva Grazielle Reis, especialista em Diabetes e Complicações Crônicas em entrevista ao Bahia Econômica, a chegada da insulina glargina ao SUS representa um avanço significativo no tratamento das pessoas que vivem com diabetes.

“A chegada da insulina glargina à rede pública representa uma conquista importante, pois amplia o acesso a uma tecnologia que pode oferecer mais estabilidade no controle glicêmico. Muitas pessoas já utilizam esse tipo de insulina na rede privada, mas o custo pode ser uma dificuldade para parte da população”, afirma.

Segundo Grazielle, a inclusão do medicamento no SUS representa mais do que a oferta de uma nova insulina.

“Quando o sistema público amplia o acesso a diferentes opções terapêuticas, existe a possibilidade de um cuidado mais individualizado, respeitando as necessidades de cada paciente e oferecendo mais segurança no tratamento”, explica.

A especialista destaca que a glargina pode contribuir para reduzir oscilações da glicose por apresentar uma ação mais estável.

“Por ter um perfil de ação prolongada e mais previsível, a insulina glargina pode facilitar o manejo do diabetes e, em pacientes adequadamente acompanhados, contribuir para diminuir episódios de hipoglicemia e melhorar a qualidade de vida”, ressalta.

Apesar dos benefícios, Grazielle alerta que a substituição da insulina NPH pela glargina deve ser feita com orientação profissional.

“A troca da insulina precisa ser avaliada pela equipe de saúde. Cada pessoa com diabetes possui características próprias, e a dose, os horários de aplicação e os ajustes do tratamento devem ser individualizados, sempre acompanhando a monitorização da glicemia”, afirma.

Além da medicação, os pacientes receberão uma caneta reutilizável para aplicação, com validade de três anos, e as agulhas necessárias para o uso. As equipes das unidades de saúde também serão responsáveis por orientar sobre a técnica correta de aplicação, armazenamento e cuidados com o medicamento.

Como ter acesso à insulina glargina pelo SUS

Para receber a insulina glargina, o paciente deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) levando a receita médica devidamente emitida e assinada.

No caso de crianças e adolescentes, pais, responsáveis ou cuidadores também poderão solicitar a avaliação para a possível substituição da insulina utilizada atualmente.

A mudança será realizada após análise da equipe de saúde, que verificará se o paciente atende aos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

A substituição da insulina NPH pela glargina acontecerá de forma gradual em todo o Brasil e faz parte de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), que busca ampliar a produção nacional do medicamento e garantir maior segurança no abastecimento do SUS.

Para Grazielle Reis, o acesso ao medicamento deve ser acompanhado de outras estratégias essenciais no cuidado com o diabetes.

“O tratamento do diabetes não depende apenas da insulina. É necessário unir acesso ao medicamento, educação em diabetes, alimentação individualizada e monitorização da glicose. Quanto mais recursos estiverem disponíveis para pacientes e profissionais, maiores são as chances de alcançar um bom controle glicêmico e prevenir complicações a longo prazo”, finaliza a nutricionista, que também convive com diabetes tipo 1.

Foto: Divulgação

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