quarta, 08 de julho de 2026
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REDUÇÃO DA SELIC CONFIRMA CENÁRIO POSITIVO PARA O MERCADO IMOBILIÁRIO

João - 08/07/2026 12:00

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano trouxe um sinal positivo para o mercado imobiliário brasileiro. Embora o corte de 0,25% já fosse esperado pelo mercado, especialistas avaliam que o principal impacto da decisão está na sinalização de uma condução cautelosa da política monetária, capaz de fortalecer a confiança de consumidores, investidores e incorporadoras em um cenário ainda marcado por incertezas econômicas globais.

No cenário internacional, a manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, entre 3,50% e 3,75% ao ano, reforçou um discurso mais rígido em relação ao combate à inflação. A postura da autoridade monetária americana reduziu as expectativas de novos cortes nos juros e fortaleceu a percepção de que as taxas permanecerão elevadas por mais tempo, influenciando diretamente os mercados globais.

Para o consultor financeiro e CEO da Ora Finanças, Deivisson Sousa, a redução da Selic representa um avanço importante para o ambiente de negócios, mas ainda insuficiente para provocar mudanças significativas no curto prazo.

“A redução da Selic é positiva porque melhora gradualmente o ambiente de crédito para famílias e empresas. No mercado imobiliário, isso significa financiamentos um pouco mais acessíveis e maior confiança para quem está planejando comprar um imóvel. Mas o mais importante não é o corte de 0,25 ponto percentual. O mercado está olhando para os sinais dos próximos meses e entendendo que o Banco Central continuará atuando com cautela”, afirma.

Segundo o especialista, a política monetária americana continua sendo um dos principais fatores que limitam uma queda mais acelerada dos juros no Brasil.

“Os juros elevados nos Estados Unidos continuam pressionando os mercados e restringindo o espaço para reduções mais agressivas da Selic. Isso exige planejamento e disciplina financeira tanto de investidores quanto de empresários. O crédito tende a melhorar gradualmente, mas ainda estamos em um ambiente que exige prudência.”

Para o mercado imobiliário, o movimento é visto como um passo importante para ampliar a confiança dos compradores e estimular investimentos, embora o acesso ao crédito continue sendo um desafio para parte da população.

De acordo com Daniel Sande, CEO de Incorporações do Grupo André Guimarães, o setor iniciou 2026 com expectativas mais otimistas em relação à trajetória dos juros, mas fatores externos acabaram alterando o cenário ao longo dos últimos meses.

“No início do ano havia uma expectativa maior de redução da taxa de juros. Mas acontecimentos internacionais recentes, como os conflitos no Oriente Médio e seus reflexos sobre o petróleo, trouxeram novas pressões inflacionárias. Hoje, os especialistas já trabalham com diferentes cenários para os próximos meses, desde a manutenção da taxa até pequenos ajustes para cima ou para baixo.”, explica o executivo

Segundo o executivo, os efeitos dos juros elevados não atingem todos os segmentos do mercado da mesma forma. Para ele, a classe média é atualmente a mais impactada pelas condições de crédito.

“Quem mais sofre com esse cenário é a classe média. As famílias de menor renda contam com programas de incentivo e subsídios em determinadas faixas habitacionais. Já o mercado de alto padrão possui menor dependência do financiamento bancário. A classe média é quem mais precisa do crédito imobiliário e, com juros elevados, acaba tendo sua capacidade de financiamento reduzida porque as parcelas ficam mais caras.”, avalia Sande.

Mesmo diante desse cenário, o Grupo André Guimarães mantém uma estratégia de expansão e prepara novos empreendimentos para diferentes regiões do país.

“Estamos estruturando lançamentos importantes na Bahia, incluindo Salvador, Chapada Diamantina e Ilhéus, além de projetos em São Paulo, São Luís e Mato Grosso. O segundo semestre promete ser bastante movimentado. O lançamento de um empreendimento depende de uma série de fatores e o mercado precisa estar preparado para absorver esses produtos, mas estamos confiantes e preparados para esse momento.”

Sande acredita que o período entre o segundo semestre de 2026 e o primeiro semestre de 2027 deverá representar uma fase importante para o setor e para os planos de crescimento da companhia.

“Temos uma expectativa muito positiva para esse ciclo. Há muitos projetos sendo estruturados, inclusive fora do Brasil, e acreditamos que será um período de muitas oportunidades para o mercado imobiliário.”

Apesar das incertezas do cenário internacional, a combinação entre a redução gradual dos juros, a manutenção da demanda por imóveis e os novos investimentos previstos por incorporadoras reforça a percepção de que o mercado imobiliário segue encontrando espaço para crescer. Para especialistas e empresários, o momento exige cautela, mas também abre oportunidades para quem estiver preparado para aproveitar os próximos movimentos da economia.

Foto: Raphael Ribeiro/BCB

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