

Com a retomada dos investimentos em ferrovias e o crescimento da demanda pelo transporte de cargas no Brasil, a digitalização começa a ganhar papel estratégico no setor. Sensores, inteligência artificial, big data e manutenção preditiva estão reunidos no conceito de Ferrovia 4.0, que passam a ser vistos como ferramentas para tornar a operação mais eficiente.
Em 2025, o transporte ferroviário de cargas no Brasil atingiu 554,48 milhões de toneladas úteis, o maior volume da série recente, segundo balanço da Confederação Nacional do Transporte (CNT). O resultado representou alta de 2,6% em relação ao ano anterior e reforçou o papel das ferrovias no escoamento de produtos estratégicos para a economia.
O Ministério dos Transportes apresentou uma carteira que prevê o leilão de 17 terminais de carga na Ferrovia Norte-Sul, além de mecanismos de financiamento com prazo de até 40 anos para ampliar a atração de capital privado ao setor. A estratégia busca aumentar a participação das ferrovias na matriz logística e integrar melhor trilhos, rodovias, hidrovias, portos e terminais.
Desta forma, a tecnologia passa a ser parte da infraestrutura. Sensores instalados em locomotivas, vagões, trilhos e pontes permitem acompanhar o desempenho dos ativos e identificar sinais de desgaste antes que eles provoquem falhas. Com IA e análise de dados, operadores conseguem reduzir paradas não programadas, melhorar a segurança e ampliar a previsibilidade da operação.
A combinação entre IoT, 5G e inteligência artificial permite transformar dados em manutenção preditiva e eficiência operacional em tempo real. Plataformas de big data também podem apoiar decisões sobre alocação de frota, consumo de energia e desempenho das máquinas, considerando fatores como topografia, peso da carga e características de cada trecho, de acordo com o portal especializado FutureCom.
Pesquisas brasileiras já avançam nessa direção
A Universidade Federal de Juiz de Fora desenvolve estudos de monitoramento estrutural ferroviário com sensores, modelagem computacional e inteligência artificial. Uma das frentes é monitorar o próprio trem durante o trajeto, em vez de instalar sensores fixos em toda a linha férrea, que supera 30 mil km no país.
No Brasil, onde a logística ainda depende fortemente das rodovias, ampliar o uso das ferrovias pode reduzir custos, emissões e gargalos no escoamento de cargas. Mas o avanço do setor dependerá da capacidade de unir infraestrutura física, conectividade, dados confiáveis e inteligência operacional.
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