

Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (23) revelou que a maioria dos brasileiros concorda com a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Ao mesmo tempo, a população demonstra resistência à possibilidade de atuação dos Estados Unidos em território brasileiro sem autorização do governo federal.
Segundo o levantamento, 59% dos entrevistados afirmaram concordar total ou parcialmente com a classificação das duas facções criminosas como grupos terroristas. Desse total, 45% disseram concordar totalmente e 14% concordam em parte.
Por outro lado, 33% manifestaram discordância em relação à medida, sendo 22% totalmente contrários e 11% parcialmente contrários. Outros 1% afirmaram não concordar nem discordar, enquanto 7% não souberam responder.
Apesar do apoio à classificação, a pesquisa mostra forte rejeição a uma eventual intervenção dos Estados Unidos contra integrantes das facções em território nacional sem consentimento do governo brasileiro. Ao todo, 74% dos entrevistados se posicionaram contra esse tipo de ação.
O tema ganhou destaque após o governo dos Estados Unidos anunciar, em junho, a inclusão do PCC e do Comando Vermelho em sua lista de organizações terroristas. A decisão foi divulgada pela administração do presidente Donald Trump no final de maio.
O levantamento também avaliou o nível de conhecimento da população sobre a medida. De acordo com os dados, 83% afirmaram ter tomado conhecimento da nova classificação. Entre eles, 35% se consideram bem informados, 37% mais ou menos informados e 11% dizem estar mal informados sobre o assunto.
Já 13% dos entrevistados afirmaram não ter conhecimento da decisão norte-americana, enquanto 5% não souberam responder.
A pesquisa ainda investigou a percepção dos brasileiros sobre a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no processo que antecedeu a decisão dos Estados Unidos. Para 54% dos entrevistados, o parlamentar teve influência na medida adotada pelo governo americano. Outros 30% acreditam que ele não exerceu influência, e 16% não souberam opinar.
Entre os que consideram que Flávio Bolsonaro teve participação na decisão, 57% avaliam que essa influência foi negativa para o Brasil. Já 37% a classificam como positiva, enquanto 3% disseram que ela não foi nem positiva nem negativa. Outros 2% não responderam.
Flávio Bolsonaro esteve em Washington em maio deste ano e participou de uma reunião com o presidente Donald Trump na Casa Branca dois dias antes do anúncio da classificação das facções criminosas.
A pesquisa Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais nos dias 17 e 18 de junho, em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.
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