

Na Bahia, as pessoas que convivem com a doença renal crônica dependem de terapias dialíticas para manter a saúde. Dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), divulgados no ano passado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia – Regional Bahia (SBN-BA), mostram que 9.841 pacientes realizaram hemodiálise regularmente no estado, enquanto apenas 215 fizeram diálise peritoneal, modalidade que permite o tratamento em casa e oferece maior flexibilidade para deslocamentos. Com a chegada do São João e o aumento das viagens para o interior, a médica nefrologista Manuela Lordelo alerta para a importância do planejamento para que o tratamento não seja interrompido.
“Para os pacientes que realizam diálise peritoneal, viajar é possível, mas exige organização prévia. Por isso, é fundamental conversar com a equipe médica com antecedência para alinhar o roteiro, garantir o envio dos insumos necessários ao destino e verificar se o local de hospedagem oferece condições adequadas de higiene e armazenamento do material. O tratamento não entra em recesso durante os festejos. O paciente precisa manter a rotina prescrita e ter um plano para lidar com qualquer intercorrência”, explica a especialista.
Outro cuidado importante é com a realização das trocas da diálise peritoneal em ambientes limpos e seguros. A médica Manuela Lordelo orienta que o paciente evite improvisações e mantenha os mesmos protocolos adotados em casa, como higienização rigorosa das mãos e utilização de superfícies adequadas para o procedimento. Também é recomendável levar uma quantidade extra de materiais, medicamentos e contatos de referência para emergências durante a viagem.
Mesmo quem realiza hemodiálise convencional, em clínicas e hospitais, e pretende viajar no período junino deve se organizar. Nesses casos, é possível solicitar a chamada hemodiálise em trânsito, modalidade que permite ao paciente realizar sessões temporariamente em outra clínica. O agendamento deve ser feito com antecedência, mediante disponibilidade de vaga e envio da documentação clínica necessária. “Quanto mais cedo o paciente iniciar esse processo, maiores são as chances de conseguir manter o tratamento sem interrupções durante a viagem”, destaca Manuela Lordelo.
Alimentação exige atenção redobrada durante os festejos
As comidas típicas do São João podem representar um desafio para quem tem doença renal crônica. Milho, amendoim, embutidos, caldos industrializados e alimentos muito salgados ou ricos em potássio e fósforo devem ser consumidos com moderação, de acordo com a orientação individualizada de cada paciente. A recomendação é manter a hidratação dentro dos limites prescritos pelo nefrologista, evitar excessos e priorizar preparações caseiras. “A celebração pode ser aproveitada, mas sem descuidar da alimentação e das restrições indicadas para cada estágio da doença renal”, finaliza a nefrologista Manuela Lordelo.
Imagens: Magnific (antigo Freepik)



