sexta, 05 de junho de 2026
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EFEITO DE REMÉDIOS EMAGRECEDORES ALTERA CONSUMO EM RESTAURANTES

Victoria Isabel - 05/06/2026 14:58

A popularização de medicamentos para emagrecimento, como o Ozempic e o Mounjaro, ultrapassou as farmácias e já ecoa nos salões de bares e restaurantes do país. Uma pesquisa recente da Abrasel, Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, revela que 61% dos empresários do setor já identificam mudanças no comportamento de consumo de seus clientes.

O levantamento aponta uma clara busca por restrições calóricas. O impacto é sentido de forma mais aguda no fechamento das refeições, especialmente na saída de sobremesas.

“O setor de bares e restaurantes, ele é muito resiliente, ele se adapta muito rapidamente a essas mudanças no comportamento do consumidor. E essa é só mais uma delas. Eu acho que o empresário, ele pode encarar, inclusive, como uma oportunidade. Porque na medida em que isso começa a se tornar uma mudança mais consistente, o empresário pode rapidamente adaptar o cardápio, passar a ter opções mais leves, opções para compartilhar, outras opções de bebidas e assim atingir um público que está nesse processo de mudança. Além disso, você sempre pode trabalhar o cardápio para ter itens de maior valor agregado. E, no fim das contas, se você consegue atingir esse público e trazê-lo para dentro do estabelecimento, pode ser uma vantagem, porque é um público que vai ser fiel ao seu estabelecimento e vai compensar, talvez, cortando uma sobremesa, mas visitar mais vezes aquele estabelecimento. Então uma coisa, ela compensa a outra. Acho que o importante é você estar atento ao que está acontecendo, a essas mudanças no comportamento, e reagir rapidamente”, diz.

Ainda segundo a pesquisa da Abrasel, 64% dos empresários relatam aumento na procura por miniporções. Outros 70% indicam maior preferência por itens de cardápio considerados mais saudáveis. Comportamento percebido pelo gastrônomo Pedro Bonfim, proprietário de um restaurante e um estabelecimento de açaí em Salvador e região metropolitana:

“Em relação a essa questão de movimento, eu acho que dá para se perceber uma mudança muito clara na forma de consumo das pessoas. Eu já tenho 15 anos no mercado de alimentação, então a gente tem a noção do passado como era. Antigamente, as pessoas não estavam tão preocupadas com essa questão da alimentação durante a semana, por exemplo. Durante a semana, o cara escolhia ir em um lugar, iria no outro, ou segurava a grana por uma questão financeira e não ia. Não era tão voltada a essa questão da saúde. E hoje, a gente percebe que há uma mudança bem clara: durante a semana as pessoas estão preferindo se alimentar melhor. Elas estão deixando de consumir produtos mais calóricos, produtos com mais açúcar. E, no nosso caso, a gente tem que aceitar que é uma realidade e buscar alternativas, né? Buscar produtos mais saudáveis, oferecer produtos mais saudáveis, uma outra forma de entretenimento, aliar, né, aliar a alimentação com entretenimento, para buscar manter o mesmo nível de vendas do passado, né?”, diz.

No setor de bebidas, a mudança também é evidente: enquanto a demanda por álcool segue estável, a procura por opções não alcoólicas ou com menor teor já é uma realidade para 53% dos empresários. O desafio para o mercado agora é equilibrar a rentabilidade com as novas demandas.

foto: Arquivo/Agência Minas Gerais

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