sexta, 05 de junho de 2026
Euro Dólar

DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE DESTACA PROJETOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL LIGADOS AO TEMA

João - 05/06/2026 10:20

Durante décadas, a urbanização acelerada afastou as pessoas do verde. Grandes centros urbanos cresceram sob uma lógica de concreto, densidade e verticalização, enquanto áreas naturais se tornaram cada vez mais escassas. Mas esse movimento começa a dar sinais de mudança. No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 05 de junho, uma nova discussão ganha força: afinal, qual é o papel da natureza no modo como vivemos as cidades?

Mais do que uma tendência estética, integrar natureza ao ambiente urbano passou a ser uma questão de saúde, qualidade de vida e sustentabilidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2050, quase 70% da população mundial viverá em áreas urbanas, ampliando desafios relacionados ao aquecimento, saúde mental, e qualidade ambiental. Em paralelo, cresce globalmente o conceito de wellness real estate — empreendimentos pensados para promover bem-estar físico, emocional e social.

A ciência também reforça essa mudança de paradigma. Pesquisas da Green Plants for Green Buildings apontam que ambientes biofílicos — aqueles que incorporam elementos naturais ao cotidiano — podem aumentar a sensação de bem-estar em até 15% e elevar a produtividade em cerca de 6%. Estudos da Universidade de Exeter, no Reino Unido, mostram ainda que o contato frequente com a natureza pode reduzir significativamente sintomas relacionados à ansiedade, depressão e estresse. Em crianças, especialmente aquelas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), espaços verdes contribuem para maior concentração e desenvolvimento cognitivo.

No setor imobiliário, esse novo olhar vem transformando projetos residenciais em diferentes partes do mundo. Se antes áreas verdes eram encaradas como complemento paisagístico, hoje elas passam a integrar o conceito central do morar. Jardins regenerativos, piscinas naturais, ventilação cruzada, iluminação natural, preservação da biodiversidade e materiais de menor impacto ambiental vêm redefinindo a arquitetura contemporânea.

Em Salvador, um dos exemplos dessa tendência pode ser observado no Bosque Caminho das Árvores, novo empreendimento da JVF Empreendimentos, que propõe uma relação mais profunda entre cidade e natureza em um dos bairros mais importantes da capital baiana. O projeto incorpora um conceito de paisagismo restaurador idealizado pelo botânico e paisagista Ricardo Cardim — vencedor do International Architecture Awards 2025 na categoria Planejamento Urbano/Arquitetura Paisagística — trazendo cerca de 40 espécies nativas brasileiras entre árvores, arbustos, palmeiras e forrações, com foco na recuperação da biodiversidade local.

“O futuro das cidades passa necessariamente pela reintegração entre ser humano e natureza. Precisamos construir ambientes urbanos que sejam capazes de restaurar ecossistemas e, ao mesmo tempo, melhorar a experiência cotidiana das pessoas”, defende Cardim, conhecido nacionalmente pelo trabalho de reintrodução da vegetação nativa brasileira nos espaços urbanos.

Além do resgate da flora local, o empreendimento aposta em conceitos de arquitetura biofílica e bem-estar urbano, incluindo áreas de contemplação, espaços voltados para convivência, vegetação integrada aos ambientes e a primeira piscina natural com tecnologia free-flowing sand do país em um empreendimento vertical, sistema que utiliza areia fluida, pedras e filtragem natural para manter a água cristalina de forma mais sustentável.

Para Viviane Fonseca, diretora da JVF Empreendimentos, a pauta ambiental deixou de ser apenas uma preocupação ecológica para se tornar parte essencial da qualidade de vida urbana. “Acreditamos que empreendimentos imobiliários podem e devem contribuir para uma relação mais equilibrada entre pessoas, cidade e natureza. Não se trata apenas de construir edifícios, mas de criar ambientes que promovam bem-estar, pertencimento e uma convivência mais harmônica com o meio ambiente”, afirma.

Em um cenário de mudanças climáticas, crescimento urbano e aumento das demandas por saúde mental e qualidade de vida, a pergunta parece cada vez mais atual: viver próximo à natureza ainda é um privilégio ou já se tornou uma necessidade?

Copyright © 2023 Bahia Economica - Todos os direitos reservados.