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TRANSTORNOS ALIMENTARES: QUANDO A BUSCA PELO CORPO “IDEAL” PODE SE TORNAR UMA DOENÇA

João - 02/06/2026 15:00 - Atualizado 02/06/2026

Hoje, 2 de junho, é comemorado o Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, criado para alertar que são doenças tratáveis, que podem afetar de forma multidimensional a qualidade de vida de qualquer pessoa — independentemente de etnia, idade ou gênero — com danos físicos, psicológicos e sociais.

Há uma constante comparação entre o próprio corpo e os perfis “perfeitos” exibidos – principalmente – nas redes sociais, padrões muitas vezes distantes da realidade da maioria. A Associação Brasileira de Psiquiatria estima que mais de 70 milhões de pessoas no mundo tenham algum tipo de transtorno alimentar. No Brasil, seriam cerca de 15 milhões.

“Os casos têm crescido especialmente entre adolescentes e adultos jovens e acomete, principalmente as mulheres. Seu pico de início é o final da adolescência e começo da vida adulta e cerca de 20% dos jovens preenchem os critérios diagnósticos. Por isso, é essencial estar atento aos sinais e sintomas para identificar e tratar esses quadros o mais precoce possível”, ressalta o Dr. Fabiano Robert – Médico Nutrólogo e Docente dos cursos de pós-graduação da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia).

Estar acima do peso ou sentir ansiedade pelo medo de engordar podem ser gatilhos para o surgimento de uma inquietação constante relacionada aos hábitos alimentares, que leva a comportamentos disfuncionais com novos padrões na escolha e quantidade dos alimentos, com restrições e exclusões. O resultado é um desequilíbrio nutricional com acometimento físico e psíquico”, alerta o especialista, que detalha as características da doença, como identificar e tratar.

Busca por um Corpo Perfeito

As causas da doença combinam fatores psicológicos, socioambientais e predisposição genética. Há uma preocupação extrema com o peso e a imagem corporal, fruto de uma cobrança pessoal e social, reforçada pela mídia, que estabelece um padrão de beleza inalcançável, criando um ambiente fértil para o surgimento dos transtornos alimentares.

Pode ser uma herança genética

Existe a possibilidade de uma influência genética, mas diversos outros fatores podem desencadear o quadro clínico. O mais evidente é a insatisfação com o próprio corpo, impulsionada pelos padrões de beleza impostos social e culturalmente.

Os Transtornos Alimentarem são diferentes

Os mais comuns são a Anorexia Nervosa, Bulimia Nervosa e Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica, atualmente o de maior prevalência.

Anorexia Nervosa: imagem distorcida do corpo

Há uma restrição voluntária de alimentos e medo intenso de engordar, resultando em um peso corporal muito abaixo do ideal. Mesmo magras, as pessoas se veem como gordas, devido a uma percepção distorcida de si mesmas. É mais comum em mulheres e pode surgir na adolescência ou até na infância. Há o controle rígido das porções, uso excessivo de laxantes, suplementos e prática exagerada de exercícios físicos. Os sintomas incluem a irregularidade menstrual, fadiga, constipação, irritabilidade e intolerância ao frio.

Bulimia Nervosa: compulsão

Ocorrem episódios de compulsão alimentar seguidos por comportamentos compensatórios, como vômitos induzidos, uso de laxantes, jejuns prolongados ou exercícios intensos. É comum a perda de controle durante as crises, seguida por forte sentimento de culpa. Os sintomas mais comuns são dor de garganta, voz rouca, fadiga, pele seca, constipação e inchaços decorrentes dos métodos compensatórios. Atinge principalmente mulheres, com início por volta dos 12 anos.

Compulsão Alimentar Periódica: comer demais

Não há os comportamentos compensatórios da bulimia, mas episódios frequentes de ingestão exagerada de alimentos, sem controle, seguidos por sentimento de culpa e vergonha. As pessoas costumam comer escondido e de forma rápida, até sentirem desconforto físico. Pode ocorrer em pessoas obesas ou não, e os episódios geralmente acontecem pelo menos uma vez por semana.

Opinião alheia: impacto negativo

A chamada “ditadura da beleza” é amplificada pelas redes sociais, que promovem a busca por um corpo perfeito e divulgam métodos supostamente milagrosos para emagrecer — muitas vezes não confiáveis. Esse ambiente torna-se um terreno fértil para o surgimento ou agravamento dos transtornos alimentares.

Riscos e atenção

É considerado o transtorno com maior índice de mortalidade entre os transtornos psiquiátricos. Um dos principais riscos é a ideação suicida, especialmente nos casos mais graves. No caso da anorexia nervosa, a perda extrema de peso pode provocar complicações severas de saúde e até a morte por auto inanição.

Tratamento: quanto mais precoce, melhor

É uma condição grave e subdiagnosticada, pois muitas pessoas preferem não admitir a condição, o que pode agravar ainda mais o quadro e atrasar o início do tratamento. O ideal é uma equipe multidisciplinar e abordagem integrada com psiquiatra, médico nutrólogo, psicólogo, nutricionista e educador, para uma terapia cognitivo-comportamental, aliada à educação nutricional e à psicoterapia. A prescrição de medicamentos deve ser avaliada caso a caso. O apoio da família, dos amigos e acompanhamento médico contínuo é essencial, já que recaídas podem ocorrer.

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