

Embora aumentem os níveis de glicose no sangue, o diabetes tipo 1 e o tipo 2 possuem causas, formas de tratamento e estratégias de prevenção bem distintas. Enquanto a primeira é uma doença autoimune, caracterizada pela destruição das células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina, a segunda está relacionada, principalmente, à resistência à ação desse hormônio e à perda progressiva da função pancreática.
No Brasil, cerca de 20 milhões de pessoas vivem com diabetes, sendo que o tipo 2 representa 90% dos casos e tem como principais fatores de risco o excesso de peso e obesidade, falta de atividade física, idade avançada e condições como hipertensão e dislipidemia. A médica endocrinologista do Sabin Diagnóstico e Saúde, Thaisa Trujilho, explica que os sintomas da diabetes, em ambos os tipos, incluem sede excessiva, aumento do volume urinário, perda de peso, fome intensa, fadiga e visão turva.
“A insulina é fundamental para que a glicose entre nas células musculares e adiposas, e seja utilizada como fonte de energia. Nos dois tipos de diabetes, esse mecanismo é comprometido, fazendo com que a glicose se acumule na corrente sanguínea, enquanto as células recebem menos energia. Esse desequilíbrio desencadeia uma série de alterações metabólicas prejudiciais”, explica a especialista.
Ela destaca que a investigação da doença é feita por meio de exames laboratoriais, além da pesquisa de autoanticorpos específicos, que permite diferenciar os outros tipos de diabetes. “O diagnóstico é feito quando a pessoa apresenta sintomas típicos da doença, junto com uma taxa de açúcar no sangue igual ou superior a 200 mg/dL em um exame feito em qualquer horário do dia. Se a pessoa não apresenta sintomas, é necessário a realização de exames, como a glicemia de jejum, o teste de tolerância à glicose e a hemoglobina glicada, que avalia o nível de açúcar no sangue nos últimos três meses”, informa.
Tratamentos
O manejo das duas condições apresenta diferenças importantes. Enquanto o diabetes tipo 1 – que atinge mais crianças e adolescentes, entre 10 e 14 anos – depende obrigatoriamente da terapia com insulina por toda a vida, o tratamento do diabetes tipo 2 costuma começar com mudanças no estilo de vida e o uso de medicamentos orais.
“O tratamento com insulina é essencial para as pessoas com diabetes tipo 1, porque a característica marcante da doença é a função ausente ou quase ausente das células beta pancreáticas. A terapia intensiva com múltiplas injeções diárias ou infusão subcutânea contínua de insulina melhora o controle da doença e está associada a melhores desfechos a longo prazo”, ressalta a médica, acrescentando que o tratamento exige reposição de insulina desde o diagnóstico.
Para o tipo 2, a especialista explica que a adoção de hábitos saudáveis, com uma alimentação equilibrada, priorizando alimentos in natura ou minimamente processados, praticar ao menos 150 minutos de atividade física por semana e controlar o peso corporal. “Além de favorecer a perda de peso, a atividade física melhora a sensibilidade à insulina e o controle glicêmico, contribuindo para a redução do risco de progressão para diabetes. Os benefícios dessas intervenções são duradouros e também incluem melhora da saúde cardiovascular, da pressão arterial, do perfil metabólico e da qualidade de vida”, conclui.
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