

A morte do adolescente Bryan Gomes de Souza Camargo, de 13 anos, vítima de complicações causadas pela Influenza A, acendeu um alerta para o avanço dos casos graves de gripe no Brasil.
O jovem morreu no início de abril após apresentar rápida piora respiratória, tornando-se um dos casos que ilustram a pressão provocada pelos vírus respiratórios neste ano.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o país registrou 505 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associadas aos vírus influenza entre janeiro e maio de 2026. Apenas nas duas últimas semanas, 136 óbitos tiveram a causa confirmada, representando 27% do total registrado no período.
Casos de gripe grave aumentam em 2026
Além das mortes, o número de casos graves também apresentou crescimento em comparação com o ano passado. Até maio, o Brasil contabilizou 7.749 casos de SRAG relacionados à influenza.
Os registros incluem:
No mesmo período de 2025, haviam sido registrados 6.250 casos.
Especialistas alertam ainda que o impacto pode ser maior, já que outras 1.344 mortes por SRAG neste ano não tiveram o agente causador identificado.
Sazonalidade e clima favorecem transmissão
Segundo infectologistas, o aumento de casos durante o outono e o inverno é esperado devido às condições climáticas que favorecem a circulação dos vírus respiratórios.
Temperaturas mais baixas, clima seco e maior permanência em ambientes fechados facilitam a transmissão. Em 2026, porém, algumas regiões registraram uma antecipação da sazonalidade da gripe.
A infectologista Juliana Lapa afirma que não existem evidências de que o vírus tenha se tornado mais agressivo.
De acordo com a especialista, as cepas que circulam atualmente são semelhantes às observadas no ano anterior, e o aumento dos casos está mais relacionado à dinâmica de transmissão e à vulnerabilidade da população.
Influenza A preocupa especialistas
Entre os vírus da gripe, a Influenza A é considerada a mais preocupante devido à sua capacidade de mutação e disseminação.
Os subtipos H1N1 e H3N2 continuam sendo os mais comuns entre humanos e podem provocar complicações severas, principalmente em crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
Segundo especialistas, a Influenza A possui grande capacidade de adaptação genética, o que favorece reinfecções e dificulta a construção de uma imunidade duradoura.
Essa característica foi responsável por pandemias históricas, como a gripe espanhola de 1918 e a pandemia de H1N1 em 2009.
Complicações podem ir além dos pulmões
A gripe não afeta apenas o sistema respiratório. Casos graves podem evoluir para pneumonia viral, insuficiência respiratória e até agravar doenças cardiovasculares.
A infectologista Rosana Richtmann explica que o vírus pode provocar inflamações nos vasos sanguíneos, aumentando o risco de eventos como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), especialmente em pacientes mais vulneráveis.
Além disso, quadros de coinfecção – quando uma pessoa é infectada por mais de um vírus ao mesmo tempo – também podem contribuir para a piora clínica.
Vacinação segue abaixo da meta
O cenário preocupa ainda mais diante da baixa adesão à campanha nacional de vacinação.
Segundo o Ministério da Saúde, apenas 38,5% do público-alvo formado por crianças, idosos e gestantes recebeu a vacina contra a gripe em 2026. A meta do governo era alcançar 90% de cobertura vacinal.
Ao todo, 18,2 milhões das 47,4 milhões de doses disponibilizadas foram aplicadas.
A baixa procura ocorre em meio a um movimento de queda da cobertura vacinal observado nos últimos anos. Especialistas apontam que a desinformação e a perda da confiança em vacinas após a pandemia de Covid-19 estão entre os fatores que contribuem para o cenário atual.
Quem pode se vacinar
A vacina contra a influenza é atualizada anualmente para acompanhar as mutações do vírus e continua sendo considerada a principal forma de prevenção contra casos graves e mortes.
O imunizante oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é trivalente e protege contra duas cepas de Influenza A e uma de Influenza B.
Diversas capitais já ampliaram a vacinação para toda a população, enquanto pessoas fora dos grupos prioritários também podem adquirir o imunizante na rede privada.
Para os especialistas, aumentar a cobertura vacinal é essencial para reduzir internações, evitar complicações e conter o avanço dos casos graves de gripe durante os meses mais frios do ano.(A Tarde)
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