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PRODUTORA DE FILME SOBRE BOLSONARO É ALVO DE OPERAÇÃO DA POLÍCIA

João - 01/06/2026 10:59 - Atualizado 01/06/2026

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta segunda-feira (1º), uma operação que investiga suspeitas de fraudes no contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para a instalação de pontos de internet gratuita na capital paulista. O ICB é ligado à empresária Karina Ferreira da Gama, também proprietária da produtora Go Up Entertainment Ltda., responsável pelo filme “Dark Horse”, obra que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A operação cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados à empresária, nas sedes das empresas investigadas e também na Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), responsável pelo contrato do programa de Wi-Fi público.

De acordo com as investigações, o contrato inicial de R$ 108 milhões teria chegado a R$ 157,1 milhões após aditivos assinados pela gestão municipal. Desse total, cerca de R$ 26 milhões teriam sido pagos sem a devida contraprestação de serviços, o que pode indicar possível desvio de recursos públicos.

O programa previa a instalação de 5 mil pontos de internet gratuita em vias públicas da cidade. No entanto, apenas 3.200 teriam sido instalados dentro do prazo. Ainda assim, a Prefeitura teria realizado pagamentos antecipados, mesmo com baixa entrega do serviço. Ainda segundo a investigação, há indícios de um direcionamento no chamamento público, já que o ICB teria sido o único participante da licitação, mesmo sem histórico técnico na área de telecomunicações.

Ainda segundo os investigadores, o instituto teria cobrado um preço muito acima do mercado pelo serviço prestado. Segundo a investigação, a Prodam, empresa pública municipal de tecnologia de São Paulo, cobraria  R$ 230 para implantação por ponto e R$ 306 para manutenção mensal por ponto. Já o ICB cobra R$ 1.800 por ponto de internet instalado.

As apurações também indicam que o ICB e a Go Up Entertainment funcionariam em endereços ligados à empresária, com registros que não teriam sido devidamente atualizados em órgãos oficiais. Os investigadores trabalham com a hipótese de possível “financiamento cruzado”, ou seja, uso de recursos públicos do contrato para financiar outras atividades privadas, incluindo a produção do filme “Dark Horse”.  O longa teria orçamento estimado entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões.

 

Foto: Reprodução/Instagram

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