

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou uma diferença de cerca de 13 milhões de registros entre a base de Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) da Receita Federal e os dados populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o levantamento, o Censo Demográfico de 2022 contabilizou 203.080.756 habitantes no Brasil, enquanto a Receita Federal possui 216.840.526 CPFs regulares de pessoas nascidas antes de 2022. Para os técnicos do TCU, embora diferenças metodológicas sejam esperadas, o volume de registros excedentes levanta dúvidas sobre a confiabilidade dos dados.
“O volume elevado de registros excedentes na base de CPF sugere a existência de conjunto de registros cujas informações não espelham a realidade que teoricamente deveriam representar, qual seja, a real existência de pessoas naturais”, aponta o relatório.
A auditoria também identificou discrepâncias envolvendo pessoas com mais de 100 anos. Enquanto o IBGE registrou 37.814 centenários no país, a base da Receita contabiliza 349.608 CPFs ativos nessa faixa etária, diferença de 825%.
Os auditores afirmam que parte da inconsistência pode estar relacionada à ausência de atualização de registros de óbito, além da possibilidade de CPFs duplicados ou vinculados a pessoas inexistentes.
“A título de exemplo do impacto dessa divergência, se o governo fosse comprar uma vacina especial para essa faixa etária, compraria uma quantidade quase dez vezes maior que a necessária se tomasse como base os registros de CPFs”, destaca o documento.
O TCU determinou que a Receita Federal apresente, em até 90 dias, um plano de ação para corrigir as inconsistências encontradas. Ao final do processo, CPFs considerados irregulares poderão ser cancelados.
A auditoria também encontrou mais de 1,3 milhão de registros com títulos de eleitor inválidos e casos de números eleitorais vinculados a CPFs diferentes.
Foto: Divulgação/Receita Federal



