

Um exame de ultrassonografia intestinal realizado de forma pioneira na Bahia pode ajudar a reduzir a necessidade de colonoscopias frequentes no acompanhamento de pacientes com Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa. A tecnologia vem sendo utilizada em estudos clínicos conduzidos pela Clínica IBIS, em Salvador, e ganha destaque durante o Maio Roxo, campanha de conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs), que vêm registrando crescimento no Brasil e no mundo.
Segundo a gastroenterologista Genoile Santana, a ultrassonografia intestinal permite acompanhar a inflamação do intestino de forma menos invasiva e com potencial para ampliar o monitoramento clínico dessas doenças. “Um diferencial importante é que a IBIS é pioneira na Bahia na realização da ultrassonografia intestinal, exame voltado especificamente para o acompanhamento da inflamação tanto na Retocolite Ulcerativa quanto na Doença de Crohn”, destaca a especialista.
De acordo com a médica, a tecnologia vem sendo utilizada em algumas das pesquisas desenvolvidas pela instituição e pode representar um avanço importante no acompanhamento clínico das DIIs. “O estudo avalia como o ultrassom ajuda na avaliação da inflamação e, futuramente, pode até substituir parte do acompanhamento mais frequente realizado por colonoscopia. É um método interessante para monitorar o processo inflamatório intestinal”, explica Dra. Genoile.
A Clínica IBIS conduz atualmente 11 estudos clínicos em Doenças Inflamatórias Intestinais, sendo oito voltados para Doença de Crohn e três para Retocolite Ulcerativa. Desde 2020, a instituição participa de pesquisas nacionais e internacionais voltadas para doenças imunomediadas, permitindo que pacientes tenham acesso a terapias inovadoras e acompanhamento especializado.
Os estudos também investigam novas alternativas terapêuticas para pacientes com doença ativa, especialmente aqueles que não responderam adequadamente aos tratamentos disponíveis. “Os novos tratamentos pretendem preencher uma lacuna para pacientes que seguem sem controle adequado da doença, incluindo pessoas que não responderam às terapias já disponíveis”, afirma a gastroenterologista.
Casos de doenças inflamatórias intestinais avançam no Brasil
O aumento no número de diagnósticos de Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa tem chamado a atenção de especialistas e pesquisadores. Antes mais associadas a países desenvolvidos, as DIIs vêm apresentando crescimento expressivo também em países em desenvolvimento, como o Brasil. Segundo publicação da revista científica The Lancet Gastroenterology & Hepatology, mais de 7 milhões de pessoas convivem atualmente com essas doenças no mundo. Já estudos epidemiológicos publicados no periódico The Lancet Regional Health – Americas apontam aumento significativo da prevalência das DIIs no Brasil nos últimos anos, especialmente em centros urbanos.
Especialistas associam esse cenário a fatores como urbanização, mudanças nos hábitos alimentares, maior consumo de alimentos ultraprocessados, alterações ambientais e avanços na capacidade diagnóstica. Embora adolescentes e adultos jovens ainda estejam entre os grupos mais afetados, também tem sido observado um crescimento nos diagnósticos entre crianças e idosos.
Sinais de alerta ainda são pouco conhecidos
As DIIs ocorrem quando o sistema imunológico ataca cronicamente o trato gastrointestinal, e seu diagnóstico é um desafio devido à confusão dos sintomas com problemas comuns. Sinais de alerta incluem diarreia persistente com muco ou sangue, dor abdominal e fadiga intensa, podendo haver manifestações fora do intestino, como dores articulares. O diagnóstico precoce é essencial, pois, sem tratamento, a inflamação pode levar a complicações graves como obstruções, fístulas e necessidade de cirurgia, exigindo uma combinação de exames clínicos, laboratoriais e de imagem.
Créditos da foto: Magnific