

Esta semana, de 11 a 17, vários órgãos internacionais, em diversos países, se mobilizam na Semana Mundial de Conscientização sobre o Sal. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação é de até 5 gramas de sal por dia, o equivalente a cerca de uma colher de chá rasa ou menos de 2.000 mg de sódio diários. Porém, apesar da orientação, o consumo médio global ainda é elevado, chegando a cerca de 10 a 11 gramas por dia, mais que o dobro do limite recomendado.
“O consumo excessivo de sal segue como um dos principais fatores de risco para doenças crônicas no mundo, mas ainda há uma confusão comum: a diferença entre sal e sódio. O sal do nosso dia a dia é formado por sódio + cloro. Já o sódio é o mineral, que faz parte do sal e, também, de vários alimentos industrializados, mesmo quando não têm gosto salgado. O sal é essencial para o organismo no equilíbrio de líquidos no corpo e funcionamento dos nervos e músculos. O problema é exagerar na dose”, explica o Prof. Dr. Durval Ribas Filho- Médico Nutrólogo, Fellow da Obesity Society FTOS – USA e Presidente da ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia.
O especialista chama a atenção que os limites de consumo também são ultrapassados por aqui. “As estimativas apontam algo entre 8 e 10 g/dia, embora a maioria da população brasileira não tenha esta percepção. O excesso está diretamente associado ao aumento da pressão arterial, sobrecarga dos rins, maior risco de eventos como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). A redução do consumo é uma medida essencial para a prevenção de problemas cardiovasculares e para a promoção da saúde pública”, destaca o médico nutrólogo, que alerta para os cuidados no dia a dia.
Sempre vigilante – tente limitar o consumo a até 5 g por dia. Adquira este hábito, aos poucos.
Prato saudável – Priorize alimentos in natura ou minimamente processados. Os produtos ultraprocessados podem concentrar altos teores de sódio.
Na hora da compra – Leia os rótulos, compare as marcas e opte por versões com menor teor de sódio. Atenção aos alimentos aparentemente saudáveis e que dão a impressão de que não são “salgados”, mas podem incluir alto teor de sal, como certos cereais matinais.
Sem saleiro por perto – Evite adicionar sal à comida na mesa. É o primeiro passo na redução do consumo, que pode ser gradativo, para o paladar se reeducar devagar.
Trocas inteligentes – Diminua o sal no preparo caseiro e substitua por temperos naturais e frescos, como alho, salsinha, cebola, folhas de louro, coentro e pimenta. Trazem novos sabores, sem que se perceba a falta do sal. Evite temperos prontos.
Sal “escondido” – Fique alerta. Embutidos, caldos concentrados, molhos prontos, pães, biscoitos, salgadinhos (snacks), macarrão instantâneo, refeições congeladas, queijos, enlatados e até refrigerantes podem conter alto teor de sódio.
Grupos de risco – Pessoas com hipertensão arterial, idosos, indivíduos com doenças cardiovasculares e crianças precisam redobrar os cuidados no consumo exagerado de sal.
O Prof. Dr. Durval Ribas Filho, lembra que o sal não é 100% um vilão para saúde. “É preciso entender que o sal é necessário para manter, principalmente, o equilíbrio líquido dentro e fora de nossas células. Em quantidade adequada ajuda a regular o ritmo cardíaco, o volume sanguíneo, a transmissão dos impulsos nervosos, a contração muscular, o funcionamento renal e facilita a produção de energia. Também auxilia para repor o sódio eliminado pelo suor, principalmente para quem pratica Atividade Física. Por isso, não deve ser excluído, completamente, de qualquer dieta. Os malefícios que o sal pode causar são a partir de uma dose acima das necessidades do nosso organismo”.



