quinta, 07 de maio de 2026
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LULA VISITA TRUMP EM WASHINGTON HOJE EM BUSCA DE EVITAR NOVAS TARIFAS COMERCIAIS DOS EUA; VEJA POSSÍVEIS TEMAS DA REUNIÃO

João - 07/05/2026 07:50

O presidente Luiz ⁠Inácio Lula da Silva visitará a Casa Branca nesta quinta-feira com o objetivo ⁠de reavivar o que o presidente dos EUA, Donald Trump, chamou no ano passado de ‘excelente química’ entre os dois ‌líderes, esperando evitar novas tarifas e demonstrar disposição para negociar acordos sobre minerais críticos e crime organizado, disseram à Reuters três pessoas do governo brasileiro. “Não sabemos se a visita vai ajudar”, disse à Reuters uma autoridade brasileira envolvida na organização ‌do encontro. “Mas tem mais chance do que se não fizermos nada.”

No ano passado, Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, entre as mais altas taxas aplicadas sobre exportações de outros países, acusando o Brasil de promover uma perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que posteriormente foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Posteriormente, Trump retirou a maior parte das tarifas, incluindo as sobre a carne bovina e o café, pelo menos em parte para ajudar a conter a alta dos preços dos alimentos nos ⁠EUA. ‌Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas que ele havia imposto sob uma lei de emergência nacional, eliminando ⁠muitas das tarifas restantes.

Os produtos brasileiros ainda estão sujeitos a uma tarifa adicional de 10%, que expira em julho. No entanto, nas últimas semanas, o Brasil tem observado indícios de que suas exportações podem ser atingidas por novas tarifas relacionadas a uma investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais desleais. Também persistem as tensões em relação ao comércio digital — uma vez que o Brasil bloqueou a renovação, apoiada pelos EUA, da moratória tarifária sobre o comércio eletrônico da ​Organização Mundial do Comércio (OMC) — e às altas tarifas brasileiras sobre alguns produtos, incluindo o etanol.

No mês passado, o Escritório do Representante Comercial dos EUA também alegou que quase metade das exportações de madeira do Brasil provém de fontes ilegais – ​o que o governo Lula nega, argumentando que reduziu as taxas de desmatamento a níveis historicamente baixos. Bilionário brasileiro da J&F desempenhou papel central para viabilizar reunião em Washington enquanto Pilgrim’s Pride, controlada pela JBS, figura como maior doadora individual da posse de Donald Trump

Autoridades brasileiras manifestaram preocupação com a possibilidade de uma nova onda de tarifas durante uma reunião realizada há duas semanas com representantes do Departamento de Comércio dos EUA. Segundo pessoas presentes nas negociações, os representantes norte-americanos fizeram poucas perguntas, reforçando a percepção de que a investigação visava justificar tarifas em vez de resolver questões comerciais. “O que eles estão fazendo é criar uma base, ainda que falsa, ‌para justificar uma posterior adoção de tarifas”, disse uma segunda autoridade brasileira.

MINERAIS CRÍTICOS E CRIME ​ORGANIZADO

O degelo nas relações entre Lula e Trump começou em setembro passado na Assembleia Geral da ONU, quando Trump fez o comentário sobre ‘química’, reconhecendo em parte as vastas reservas de minerais críticos do Brasil, disse Monica de Bolle, economista brasileira e pesquisadora sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional.

O desejo ⁠do governo Trump de construir uma cadeia de ​suprimentos de terras raras necessárias para ​a fabricação de alta tecnologia provavelmente manterá a reunião de Lula e Trump em ordem, disse ela.

‘Por parte dos EUA, eles estão buscando algum tipo de ⁠acordo – seja lá o que for – sobre minerais críticos e terras ​raras com o Brasil’, disse De Bolle. ‘Os EUA realmente precisam de algo de Lula.’

O governo Lula não espera que um acordo sobre minerais críticos se concretize, disseram à Reuters pessoas próximas ao presidente, porque as autoridades ainda encontram dificuldades para chegar a um consenso até mesmo sobre ​um memorando de entendimento básico.

Existem também tensões em relação aos esforços da Casa Branca para designar grupos criminosos da América Latina como terroristas.

O governo Lula está tentando evitar tal medida em relação ao PCC e ​Comando Vermelho, pois isso poderia abrir ⁠caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou para sanções contra bancos que, sem saber, fazem negócios com membros desses grupos criminosos.

Tal decisão poderia ter “reflexos na ⁠economia brasileira, no setor produtivo e no sistema financeiro”, disse o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, à Reuters em março.

Em vez disso, Lula proporá maior cooperação no combate ao crime organizado, à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas.

‘Não acredito que vai ser possível assinar qualquer coisa porque mandamos a contra-proposta há pouco tempo, e não creio que eles tenham tido tempo de processar’, disse uma autoridade que trabalhou na elaboração do documento.

 

Foto: Divulgação

 

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