

O Banco Central (BC) decidiu cortar pela segunda vez seguida os juros. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Taxa Selic, juros básicos da economia, em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano. A decisão era esperada pelo mercado financeiro.
De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na reunião passada, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta o trabalho do Copom. (Veja mais aqui)
Análise do especialista : Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e co-fundador da Forum Investimentos
A decisão veio em linha do esperado, e foi unânime. Ficou claro que o comunicado trouxe um tom mais pessimista em relação ao cenário externo, pela persistência do conflito e seus desdobramentos sobre os preços de energia. Deram maior peso aos riscos do conflito, sem dúvidas.
Na minha visão, veio em linha com o esperado, refletiu o cenário mais desafiador mas já sinalizou a possibilidade de cortes para a próxima reunião (o que não era uma certeza de que seria feito pelo mercado).
O comunicado também trouxe visão mais cautelosa quanto à inflação interna, reforçando que a inflação corrente vem se distanciando da meta. Apontou, ainda, atividade acima das expectativas no primeiro trimestre, embora ainda consistentes com trajetória de desaceleração. Sinalizando à frente, indica disposição para prolongar o ciclo de cortes, mas adotando tom mais gradualista e comprometido com a continuidade do ajuste monetário.
Espero novo corte de 25 pontos base, com bastante dependência das variáveis externas (petróleo), manutenção da taxa de câmbio em patamares próximos ao atual e sensível às novas leituras do IPCA e principalmente da expectativas de inflação.
Amanhã acredito que a bolsa deve reagir bem pela sinalização de corte, embora tímida, mas que não era dada como certa (caso não haja vetor externo mais forte dominando o pregão). Juros devem fechar no curto um pouco e dólar pode valorizar amanhã.
Imagem de Csaba Nagy por Pixabay


