sexta, 24 de abril de 2026
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OPEN FINANCE DEVE AVANÇAR NO NORDESTE COM FOCO EM CRÉDITO E PMES

João Paulo - 24/04/2026 12:02 - Atualizado 24/04/2026

Região, que concentra alto uso de múltiplos bancos e passa por um processo acelerado de transformação financeira, é estratégica para a expansão do modelo, analisa o presidente do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais, Rodrigo de Abreu

O Open Finance é uma das principais apostas do Banco Central para ampliar o acesso ao crédito e aumentar a concorrência no sistema financeiro em 2026. Nesse contexto, o Nordeste desponta para o BC como uma das áreas com maior potencial de crescimento no país, destaca o presidente do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais (IFD), o advogado Rodrigo de Abreu Pinto.

Dados recentes indicam que o país já soma mais de 160 milhões de consentimentos ativos e cerca de 104 milhões de contas conectadas. Ainda assim, apenas 37,1% dos usuários autorizaram o compartilhamento de dados, o que revela um descompasso entre infraestrutura disponível e uso efetivo, realidade pela qual a promessa de crédito mais barato e acessível ainda não chegou para a maioria dos brasileiros.

“A região Nordeste reúne duas características importantes: alta concentração bancária e forte digitalização, impulsionada por ferramentas como o Pix. Isso cria um ambiente ideal para o Open Finance crescer e aumentar a concorrência”, diz Rodrigo de Abreu. “No entanto, há um caminho de amadurecimento que passa por explicar melhor como o sistema funciona, garantir segurança no uso dos dados e facilitar a experiência. Sem isso, o usuário não se sente confortável”, adverte o executivo.

Nesse momento de taxas de juros elevadas, o BC e as instituições financeiras têm apostado em três frentes: a integração do PIX Automático ao sistema de compartilhamento, a redução do redirecionamento (etapa em que o cliente precisa sair do aplicativo de um banco para autorizar o compartilhamento em outro app), e na ampliação do uso do Open Finance, incluindo entre pequenas e médias empresas.

“Quanto mais informações são integradas, maiores as chances de o cliente receber propostas de crédito mais competitivas. É uma grande vantagem para a pessoa física e ainda mais relevante para pequenas empresas, que historicamente enfrentam dificuldades de financiamento”, destaca a liderança do IFD.

Simplificando o Open Finance

Na prática, o Open Finance permite que clientes, pessoas físicas e empresas, autorizem o compartilhamento de seus dados financeiros entre instituições. Isso inclui, entre outras informações, renda, histórico de crédito, movimentações e investimentos, que podem ser usadas para gerar ofertas mais adequadas ao perfil de cada usuário.

Antes da criação do sistema, essas informações ficavam concentradas em apenas um banco, o que limitava a concorrência. Essa lógica começou a mudar com o Open Banking, lançado em 2021 (ainda restrito aos bancos nessa fase), mas a grande quebra de paradigma veio com o Open Finance.

O novo ambiente ampliou o compartilhamento para além dos bancos, incluindo corretoras, seguros e previdência privada. “Essa reconfiguração transformou o ecossistema informacional do setor ao permitir a circulação de dados entre instituições mediante o consentimento do titular”, conceitua Rodrigo de Abreu.

Quem é Rodrigo de Abreu Pinto?

Presidente do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais (IFD), o advogado pernambucano Rodrigo de Abreu Pinto é especialista em Direito Empresarial e Societário.

Dedicado à inovação, também preside a Comissão de Inovação e Mercado de Capitais da Associação Brasileira dos Advogados do Mercado Imobiliário (ABAMI).

Outra área em que Rodrigo de Abreu atua é a de Sociedades Anônimas de Futebol (SAF), sendo responsável pela comissão de estudos sobre o tema criada na OAB-PE.

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