

As companhias aéreas brasileiras suspenderam mais de 2 mil voos programados para maio, diante da alta do petróleo no mercado internacional e dos sucessivos reajustes no querosene de aviação. O levantamento, baseado em dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), aponta impacto direto na oferta de voos e assentos no país.
De acordo com informações apuradas pela CNN Brasil, os cortes atingem principalmente rotas menos rentáveis e já provocam redução na malha aérea doméstica. Estados como Amazonas, Pernambuco, Goiás, Pará e Paraíba estão entre os mais afetados.
Segundo executivos do setor, os cancelamentos ainda não impactam de forma relevante rotas mais disputadas, como São Paulo–Rio de Janeiro e São Paulo–Brasília, mas podem se ampliar dependendo da pressão dos custos.
O movimento é atribuído ao aumento expressivo do querosene de aviação, que teve reajuste de 54% no início de abril. A Petrobras revisa os preços mensalmente, e há expectativa de um novo aumento em maio, estimado em cerca de 20%.
Dados do sistema da Anac mostram que o número de voos diários previstos caiu de 2.193 para 2.128, o que representa redução de cerca de 2 mil voos no mês e queda de 2,9% na oferta. Na prática, isso significa menos 10 mil assentos por dia e a retirada de aeronaves de médio porte de operação.
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas afirmou que os impactos são “gravíssimos” e que mantém diálogo com o governo para tentar reduzir os efeitos do aumento do combustível sobre o setor e os passageiros.
foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo