

Salvador recebe, a partir desta quarta-feira (16), a exposição inédita no Brasil Meia-Noite na Encruzilhada, que será aberta ao público no espaço Pé de Cobra (@pedecobra.lab), localizado na Rua do Bispo, 35, no Centro Histórico, bem no coração do Pelourinho. Com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h, a mostra conta com apoio institucional do Instituto Cervantes Salvador e apresenta imagens de rituais dedicados à Exu, entidade central nas religiões de matriz africana, associada ao movimento, à comunicação e às encruzilhadas.
Com fotografias feitas ao longo de três anos, a mostra percorre territórios como Benim, Cuba, Brasil e Haiti. As imagens são da espanhola Cristina De Middel, um dos principais nomes da fotografia contemporânea internacional, e por Bruno Morais, cuja trajetória é marcada por uma abordagem documental e poética voltada ao imaginário popular e aos direitos humanos.
“Entre registros de rituais e construções visuais que dialogam com o mito, a exposição se inscreve no intervalo entre o visível e o oculto, propondo ao público uma experiência que atravessa narrativa, espiritualidade e imaginação”, destaca Cristina De Middel.
Apresentado inicialmente no festival Rencontres de Arles, em 2018, o projeto já passou por cidades como Barcelona, México e Bogotá. Sua chegada a Salvador carrega um simbolismo especial. “Após passar por diferentes países, chegar a Salvador, com tudo o que esta cidade representa, torna-se particularmente significativo”, afirma Bruno Morais.
A exposição marca a abertura do Pé de Cobra, iniciativa que passa a integrar o circuito cultural da cidade com a proposta de ser um espaço voltado à experimentação e reflexão em torno da imagem. Instalado em um imóvel histórico, a iniciativa ocupa um prédio que, entre as décadas de 1960 e 1990, funcionou como estrutura de fiscalização do comércio ambulante, conhecido popularmente como “Rapa”. Após cinco anos de obras, o local é ressignificado como um centro dedicado à produção e ao pensamento visual, com ambientes que incluem sala expositiva, biblioteca especializada e laboratório fotográfico.
A mostra integra o conceito “A Esquina”, eixo curatorial que orienta as atividades do Pé de Cobra ao longo de 2026 e que deverá atravessar exposições, encontros e ações do espaço ao longo do ano. “Desejamos um lugar onde a arte não seja colocada em um pedestal, mas que as pessoas se sintam à vontade para entrar e participar”, afirma Julieta Lopresto. Ao lado de Cristina De Middel e Bruno Morais, ela está à frente do Pé de Cobra, iniciativa que propõe um ambiente acessível, onde o processo criativo permanece aberto e em constante diálogo com a comunidade.
Crédito: Pé de Cobra