

O crédito imobiliário na Bahia começou 2026 em alta e alcançou R$ 38,7 bilhões, segundo dados do Banco Central do Brasil. O volume representa crescimento de 12,4% em relação ao ano anterior, impulsionado pela demanda por moradia, melhora no mercado de trabalho e avanço da renda.
O desempenho acompanha a tendência nacional e reflete mudanças no perfil de financiamento do setor. Tradicionalmente sustentado pelos recursos da poupança, o crédito habitacional passou a contar com novas fontes nos últimos anos.
“Historicamente, a principal fonte de recursos para o crédito imobiliário foi a poupança. Nos últimos períodos, porém, o crescimento desses depósitos perdeu força. Em resposta, outras fontes passaram a ganhar espaço, como o FGTS e instrumentos do mercado financeiro, como LCIs e CRIs, títulos de renda fixa usados para financiar o setor”, explica Artur da Silva Figueiredo, assessor de Ciclo de Crédito da Central Sicredi Nordeste.
Mesmo com juros elevados, que encarecem o financiamento, a procura por crédito segue aquecida. Segundo o especialista, fatores estruturais ajudam a sustentar a demanda.
“O que a gente observa é uma demanda que não se retraiu, mesmo com um ambiente de crédito mais caro. Há uma base estrutural forte, que envolve renda, necessidade de moradia e dinâmica demográfica”, acrescenta Figueiredo.
Além do cenário econômico, políticas públicas também contribuem para o desempenho do setor. O programa Minha Casa Minha Vida segue como um dos principais vetores de acesso ao crédito, especialmente para famílias de menor renda.
No mercado, instituições financeiras têm ampliado as condições de financiamento. Entre as estratégias, estão prazos mais longos, maior percentual financiado e possibilidade de uso do FGTS.
“O modelo no Sicredi também permite o uso do FGTS para aquisição, construção ou amortização do saldo devedor, além da possibilidade de portabilidade de financiamentos contratados em outras instituições. Isso tudo cria um conjunto de condições que busca se adaptar à realidade do associado”, afirma.
A expectativa é de continuidade no crescimento ao longo do ano, com maior diversificação das fontes de recursos e ampliação das modalidades de crédito.
“A tendência é de continuidade desse processo. Com a manutenção da demanda e das condições de negócio, o mercado deve se tornar mais diversificado, com maior presença de diferentes fontes de recursos e modelos de financiamento que levam à ampliação do acesso ao crédito”, conclui.