

Na última coluna , destacamos a existência de alguns gargalos no campo que precisam ser equacionados com a maior rapidez possível. Os exemplos citados incluíram os esforços para concluir as obras de algumas ferrovias importantes para o escoamento das safras brasileiras, como a FIOL (e o porto a ela acoplado) e a FERROGRÃO, ligando Sinop , no Mato Grosso, a Miritituba, no Pará, obra essa que se encontra em análise no STF, cujo julgamento precisa ser concluído.
Na oportunidade, salientamos ainda que o acesso à cobertura de internet de qualidade (4G, 5G) é de fundamental import^ncia para, por exemplo, ajudar na disseminação das técnicas de agricultura de precisão, em que os insumos são aplicados onde há real necessidade, o que contribui para reduzir custos de aquisição e aplicação de certos itens, como fertilizantes e defensivos agrícolas. Marcos Jank, do INSPER, fala na possibilidade de redução de custos de até 70% nas compras e aplicação desses insumos, e aqui a velocidade na captação de dados e informações no campo e seu repasse aos produtores em tempo real é fator crucial para uma tomada de decisão rápida e instantânea por parte do produtor rural, visando equacionar os problemas.
Antes de dar um exemplo ilustrativo da utilidade do acesso à internet no campo, cabe pontuar que, embora tenha avançado nos últimos anos , alcançando mais de 80% das propriedades rurais, o sinal de internet na maioria das vezes se circunscreve à sede da fazenda. Algumas fontes dão conta de que 33,9% da área agrícola no Brasil estaria coberta pelo sinal 4G ou 5G. Em termos de percentual de cobertura, , em números redondos, entre 25% e 37% dos estabelecimentos rurais têm cobertura 4G ou 5G em toda a extensão territorial da fazenda (sinal integral), denotando uma taxa de cobertura relativamente baixa. Desse modo, há um grande caminho a percorrer para universalizar o acesso à internet no meio rural.
Finalmente, um exemplo importante da utilidade da internet aqui no caso reside no combate a pragas e doenças nas lavouras.
No particular, existem pragas que têm o poder de destruir e impor perdas consideráveis na produção de certas lavouras , se o seu combate não se der no início da infestação. A lagarta do algodão (Helicoverpa), , a lagarta-do-cartucho no milho e sorgo, a cigarrinha do milho e o percevejo-marrom da soja, dentre outras pragas, são exemplos com potencial de destruição rápida e devastadora das lavouras, caso sua presença não seja rapidamente identificada e o seu combate demore a ser concretizado. Um acesso de uma propriedade rural à internet de qualidade permite a captação rápida das imagens (com o uso de sensores, câmeras de alta resolução e drones, dentre outros equipamentos) do campo acusando o início da infestação , e essas imagens, fotos e vídeos são rapidamente repassadas ao smartphone do produtor rural, que assim pode instantaneamente providenciar o início do combate somente nas faixas da propriedade onde a intensidade da presença da praga seja significativa.
A falta ou deficiência de conexão à internet pode ser fatal e a lavoura e o produtor rural podem sofrer pesadas perdas de produção.
(1)Consultor Legislativo e doutor em Economia pela USP. E-mail: jose.macielsantos@hotmail.com