

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na manhã desta terça-feira que 18 dos 38 ministros que compõem o governo vão deixar os cargos para concorrer na eleição em outubro. Segundo Lula, as mudanças são necessárias porque os aliados terão “missões mais importantes”. Também durante a reunião ministerial, Lula anunciou que Alckmin vai ser novamente candidato a vice na chapa que tentará a reeleição.
A saída seis meses antes do pleito, ou seja, até 4 de abril, é uma exigência da lei eleitoral.
— Eles nos deixarão porque terão missões mais importantes nos próximos meses. É um direito legítimo disputar uma eleição, seja qual cargo for — disse Lula na abertura da reunião.
De acordo com o presidente, parte das trocas serão concretizadas já na reunião e outras ocorrerão nos próximos dias. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, por exemplo, vai deixar o cargo após participar de uma inauguração ao lado de Lula em Salvador.
— Essa reunião hoje em que pelo menos 14 companheiros deixarão o governo a partir de hoje, mais quatro companheiros que vão anunciar daqui a pouco. E depois quem sabe mais alguns — disse o presidente.
As substituições em sua maioria serão feitas com as equipes que já estão nas pastas, com o secretário-executivo assumindo o posto. O modelo já foi visto na Fazenda, onde Dario Durigan já assumiu o lugar de Fernando Haddad. O objetivo é que as políticas já em vigor continuem.
— Na saída dos ministérios tomei como decisão não ficar colocando ministros novos. Temos máquina funcionando há três anos e quatro meses. Não quero que nenhum ministério comece tudo outra vez. A máquina está em andamento e tem que continuar andando. Temos muita coisa para concluir até 31 de dezembro e a obrigação de quem vai ficar é concluir. Não dá para começar a fazer um novo ministério faltando nove meses — afirmou Lula.
As mudanças
Com as substituições, o governo passará a ser composto em grande parte por nomes de menor expressão política e rostos menos conhecidos. A maioria dos ministérios será comandada pelos atuais secretários executivos. Fazem parte desse grupo, por exemplo, a pasta da Educação, que deve ter Leonardo Barchini no lugar do ex-governador do Ceará Camilo Santana, e dos Transportes, com a promoção de George Santoro, para a vaga do ex-governador de Alagoas Renan Filho.
Na Fazenda, onde Fernando Haddad antecipou a sua saída, a promoção do secretário executivo já ocorreu com a nomeação de Dario Durigan. O mesmo modelo de promoção do número 2 acontecerá na Casa Civil, ministério responsável por coordenar as ações do governo. Miriam Belchior, que foi ministra do Planejamento no governo Dilma Rousseff, assumirá o lugar de Rui Costa, que concorrerá ao Senado pela Bahia.
Lula também usará as trocas para promover acomodações políticas. No cobiçado Ministério da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), que sairá para concorrer ao Senado pelo Mato Grosso, será substituído por André de Paula (PSD), atual titular da pasta da Pesca. A mudança é um gesto do Planalto à bancada do PSD na Câmara, já que André de Paula é deputado federal licenciado.
O presidente ainda aproveitará para testar um nome visto como proeminente dentro do governo em um posto de primeiro escalão. O economista Bruno Moretti, que atualmente está à frente da Secretaria Especial de Análise Governamental, vinculada à Casa Civil, assumirá o Ministério do Planejamento em lugar de Simone Tebet.
Também são certas as saídas dos ministros Jader Filho (Cidades), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Anielle Franco (Igualdade Racial), Silvio Costa Filha (Portos e Aeroportos), André Fufuca (Esportes), Marina Silva (Meio Ambiente), Waldez Goes (Desenvolvimento Regional), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Sônia Guajajara (Povo Indígenas). Todos esses devem ser substituídos pelos secretários executivos. Mas apesar da diretriz de privilegiar os números 2, ocupantes desses postos disseram ao longo da segunda-feira que ainda não tinham sido convidados oficialmente para assumirem os ministérios.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também irá deixar o cargo para concorrer ao Senado pelo Paraná. O seu substituto, porém, ainda segue indefinido. O plano era nomear o secretário do Conselho do Desenvolvimento Econômico Social, o Conselhão, Olavo Noleto, mas Lula decidiu optar por um político com mais experiência. Há possibilidade de o cargo ser ocupado interinamente até a escolha do substituto de Gleisi. Além dos nomes certos, ainda podem deixar o governo Márcio França, Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e Wolney Queiroz (Previdência).
Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República