terça, 24 de março de 2026
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LULA SANCIONA PL ANTIFACÇÃO COM VETOS SOBRE PUNIÇÕES E DESTINAÇÃO DE RECURSOS

VICTOR OLIVEIRA - 24/03/2026 17:57

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta terça-feira (24) o PL Antifacção, que cria um marco legal para o combate a facções criminosas no Brasil, mas vetou dois trechos do projeto aprovado pelo Congresso Nacional.

Principais diretrizes do PL

A nova legislação estabelece mecanismos para enfrentar organizações criminosas, incluindo:

  • Fortalecimento das investigações;
  • Aumento de penas em alguns casos, de 20 para 40 anos;
  • Instituição de prazos para investigações;
  • Mecanismos de bloqueio de bens e reversão de valores aos fundos federais e estaduais de segurança pública.

Trechos vetados

Um dos vetos impede que as penas previstas para integrantes de facções sejam estendidas a pessoas envolvidas em ações equiparadas a atividades de organizações criminosas, por risco de criminalização de movimentos sociais e protestos.

O segundo veto suspende a destinação de produtos e valores apreendidos do crime organizado a fundos estaduais e do Distrito Federal. O governo argumenta que a medida reduziria a receita da União e poderia violar a Constituição ao transferir recursos sem estimativa do impacto orçamentário, em um momento de maior demanda pelo Fundo Nacional de Segurança Pública.

Próximos passos

O governo prepara um decreto regulamentador, previsto para a próxima semana, que detalhará seis eixos estratégicos de implementação do PL Antifacção.

Contexto político

O tema da segurança pública é sensível para o governo, especialmente em ano eleitoral, já que a percepção de violência costuma favorecer a direita. O projeto ganhou impulso após a megaoperação nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, em outubro do ano passado, que resultou em 121 mortes.

Durante a tramitação no Congresso, o PL enfrentou divergências tanto entre governo e oposição quanto dentro da própria base aliada, principalmente sobre:

  • Aumento de penas;
  • Ampliação de poderes investigativos;
  • Endurecimento do regime para líderes de facções.

Alguns setores do Planalto defenderam uma abordagem mais estruturante, focada em inteligência e integração entre forças de segurança, buscando equilíbrio entre rigor penal e eficácia investigativa.

Foto: Reprodução

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