segunda, 09 de março de 2026
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A POLARIZAÇÃO CONTINUA E O NORDESTE SERÁ NOVAMENTE O FIEL DA BALANÇA ENTRE LULA E FLÁVIO BOLSONARO. MAS HÁ MUDANÇAS.

Redação - 09/03/2026 10:58 - Atualizado 09/03/2026

A eleição presidencial de 2022 foi marcada por uma polarização extrema: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou com uma diferença inferior a 2% dos votos sobre Jair Bolsonaro.

Como já havíamos adiantado, a eleição de 2026 entre Lula e Flávio Bolsonaro vai ser igualmente polarizada, e a pesquisa do Datafolha deste final de semana mostrou exatamente isso. Na pesquisa estimulada de segundo turno, Lula registra 46%, ante 43% de Flávio Bolsonaro, o que representa um empate técnico.

E, se nada extraordinário ocorrer, a eleição será novamente marcada por polarização intensa e será decidida pela rejeição. Mas, outra vez, a região Nordeste será o fiel da balança e vai decidir a eleição.

Na pesquisa Datafolha verifica-se novamente uma enorme vantagem  a favor de Lula na região Nordeste. Ou seja, mesmo havendo desgaste nacional, o Nordeste continua sendo a região mais favorável ao governo, e a aprovação do governo Lula na região chega a 43%, a maior do país.

Mas, quando se analisam os números, verifica-se que a vantagem de Lula, embora continue grande, está diminuído. E a direita cresceu no Nordeste, especialmente entre os evangélicos, os jovens e em áreas urbanas médias.

O desafio para Lula é manter essa vantagem, e o desafio de Flávio Bolsonaro é reduzi-la, pois, como o Nordeste representa 27% do eleitorado brasileiro, em eleições apertadas uma vantagem grande na região compensa derrotas em outras partes do país.

Foi exatamente o que aconteceu em 2022, quando Lula venceu por apenas 2 milhões de votos no país, mas ganhou milhões de vantagem no Nordeste.

Em 2022, a diferença de votos entre a esquerda e a direita foi de cerca de 40 pontos na região. A direita precisa reduzir isso para cerca de 15%, de modo que a decisão se dê em outras regiões.

Por enquanto, Lula ainda reina na região, mas há mudanças ocorrendo, principalmente nos três maiores colégios eleitorais do Nordeste: Bahia, Pernambuco e Ceará. A Bahia, por exemplo, é o principal bastião eleitoral do PT e o maior colégio eleitoral da região.

Na eleição de 2022, a Bahia foi decisiva: Lula teve 72,12% dos votos,  vencendo em 415 dos 417 municípios, enquanto Jair Bolsonaro ficou com 27,88%.  Mesmo assim, a oposição estadual se mostra mais competitiva.

O Ceará também é um reduto lulista. Lula venceu em todos os municípios cearenses, obtendo cerca de 66% no primeiro turno e quase 70% no segundo. Mas a volta de Ciro Gomes à disputa pelo governo do Estado é uma mudança de peso, não só pela verve agressiva do candidato, mas também por seu prestígio eleitoral.

Por fim, Pernambuco, que em 2022 deu a vitória a Raquel Lyra, que derrotou a candidata apoiada pelo PT, Marília Arraes.  A candidata de centro venceu, mas, ainda assim, Lula venceu com folga no estado.

Tudo isso mostra que a polarização política tende a repetir o cenário eleitoral de 2022 e que a região Nordeste vai ser novamente decisiva. Os candidatos da direita e da esquerda deveriam começar a focar mais na região.

(EP – 09/03/2026)

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