

A construção do condomínio de alto padrão Largo da Vitória Square, no chamado “Terreno da Graça”, em Salvador, se transformou em um verdadeiro embate entre vizinhos e autoridades. Segundo reportagem do site Bahia Notícias, assinada por Leonardo Almeida e Mauricio Leiro, o empreendimento é alvo de ação judicial movida pelo condomínio vizinho Mansão Baía Azul, que alega invasão de área.
Donos e investidores do projeto
O Largo da Vitória Square será formado por três torres com vista para o mar e pertence a um fundo de investidores que inclui o empresário João Gualberto, dono da rede Hiperideal e ex-prefeito de Mata de São João; o ex-prefeito ACM Neto, pré-candidato do União Brasil ao governo da Bahia; e o empresário Thiago Coelho, herdeiro de Roberto Coelho, ex-dono da TV Aratu. Também participam da sociedade a família Cunha Guedes e a construtora Costa Andrade, responsável pelas obras.
Conflito com o Mansão Baía Azul
Os moradores do Baía Azul contestam que o novo condomínio teria invadido seu terreno para realizar escavações e reconstrução de um muro que delimita as propriedades. A obra em questão seria, na verdade, uma contenção de encosta em concreto armado com dez metros de altura.
O Baía Azul argumenta à Justiça que a estrutura é essencial para a estabilidade da garagem e áreas comuns, e que qualquer intervenção sem estudo técnico pode causar danos irreversíveis e colocar em risco a vida dos moradores. Já o Largo da Vitória Square afirma que o projeto tem aprovação dos órgãos municipais e que a paralisação das obras geraria prejuízos financeiros significativos.
O processo tramita na 4ª Vara Cível de Salvador. Em outubro de 2025, o juiz George James Costa Vieira autorizou o ingresso da incorporadora no condomínio, mediante depósito de caução de R$ 50 mil para cobrir eventuais danos. Um recurso do Baía Azul chegou a suspender a obra, mas a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), que ratificou a autorização para a construção.
Denúncia ao Crea e Sedur
Além da Justiça, os advogados do Baía Azul levaram a disputa à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) e ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA). A denúncia ao Crea aponta “falha de informações adequadas do entorno” e divergências entre o projeto arquitetônico do Largo da Vitória Square e a realidade do terreno, ocupando de forma irregular espaço pertencente ao condomínio vizinho.
Segundo o engenheiro Vicente Antonio da Silva, síndico do Baía Azul, a vistoria técnica apontou possíveis irregularidades que poderiam comprometer a segurança do edifício.
Foto: Divulgação / LV Square