

Salvador reduziu em quase 11% a quantidade de vítimas fatais no trânsito entre 2024 e 2025. No ano passado, foram registrados 132 óbitos em decorrência de acidentes, contra 148 no ano anterior. Os dados foram divulgados pela Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) na última segunda-feira (2).
Os pontos com mais ocorrências com morte são algumas das avenidas mais movimentadas da capital, como as avenidas Luiz Viana Filho (Paralela), com 13 óbitos, seguida pela Afrânio Peixoto (Suburbana), com nove registros, e as avenidas Vasco da Gama e ACM, ambas com quatro registros cada.
Foto: Mauro Akin Nassor/Arquivo CORREIO
De acordo com Diego Brito, superintendente de Trânsito de Salvador, o problema que causa os sinistros varia a depender do local, mas o grande vilão tende a ser o excesso de velocidade.
“A Paralela, por exemplo, tem velocidade máxima de 80 km/h por ser uma via expressa. É uma velocidade em que o condutor não consegue ter uma resposta rápida em situações que dependem de reflexo”, diz.
Outras questões também se destacam. Na Suburbana, segundo Brito, a imprudência é o fator principal, sobretudo por parte de motociclistas e pedestres. Na ACM o problema se repete, com a população atravessando a via sem tomar os devidos cuidados e sem passar pelas passarelas.
Do total de mortes no trânsito na capital baiana, 19 foram registradas na BR-324 e nas rodovias estaduais BA-526 e BA-528, um aumento em relação a 2024, quando foram registradas 11 fatalidades nesses trechos. Nesses casos, as gestões de trânsito ficam a cargo das Polícias Rodoviárias Federal (PRF) e Estadual (PRE), respectivamente. “A gente não consegue fazer a fiscalização, implementar eh novas sinalizações ou até mesmo pensar em projetos ali para diminuir e os sinistros na região”, afirma o superintendente.
Ele conta que se reuniu recentemente com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para sugerir um trabalho conjunto nas áreas de BR de Salvador, e que também teve uma reunião com a Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra) para tratar das BAs.
“Só que a BA-528, por exemplo, é aquela estrada do Derba, que ela está totalmente envolvida na obra do VLT. E a gente não consegue fazer um trabalho de sinalização ou de readequação de velocidade ali, para melhorar a sinalização, antes das obras do VLT acabarem. Mas os projetos do VLT também preveem nova sinalização e melhoria nas travessias, então eu acredito que após essas obras a quantidade de sinistros naquela região também diminua.”
Acidentes com motos
As reduções em toda a capital também se mantiveram quando comparados os dados de óbitos envolvendo motociclistas e pedestres nos dois anos. O número de condutores de motocicletas que perderam a vida caiu de 65 para 56, o que representa uma redução de 13,8%. Já os atropelamentos fatais diminuíram de 57 para 52, uma queda de 8,8%.
Apesar da queda, os motociclistas continuam sendo a principal preocupação da Transalvador, especialmente, segundo Brito, pela facilidade maior em adquirir uma moto – muitas vezes por pessoas sem habilitação. Outro motivo de aflição é o crescimento do trabalho informal que envolve entregas ou transporte.
“Quanto mais rápido ele fizer uma entrega, mais ganha. Tem aplicativos hoje que chegam ao absurdo de estipular um tempo de entrega de até 10 minutos. Isso faz com que um motociclista, para não perder a venda ou para ganhar algum bônus do aplicativo, ande pela passarela, trafegue na contramão e não respeite as regras de trânsito. Então, envolve uma questão social também”, explica.
Ações
Os resultados positivos são reflexo do trabalho nas áreas de fiscalização, educação e redesenho viário. Ao longo de 2025, a Transalvador intensificou as operações de controle de velocidade, alcoolemia e respeito às normas de circulação.
Como parte dessa estratégia, foram implantadas áreas calmas, com limites de velocidade reduzidos para 30 km/h e 40 km/h, especialmente em regiões com grande circulação de pedestres, contribuindo para a diminuição da gravidade dos sinistros.
Houve também reforço da fiscalização voltada a motociclistas, coibindo condutas perigosas como excesso de velocidade, avanço de sinal e circulação irregular, além da ampliação do uso de tecnologias, como câmeras de videomonitoramento e radares, para fortalecer a presença do poder público nas vias. As equipes de blitz diurnas também foram ampliadas.
Na área de educação para o trânsito e engenharia viária, a Transalvador promoveu campanhas educativas voltadas a pedestres, motociclistas e condutores em geral, com ações em escolas, vias de grande circulação e eventos públicos.
“Destaco a ampliação dos cursos e capacitações voltados especificamente para motociclistas, a intensificação da atuação dos nossos agentes nas ruas, com mais presença, fiscalização e orientação e o investimento em ações preventivas. Esses esforços têm como objetivo principal preservar vidas e promover uma convivência mais segura no trânsito de Salvador”, afirma Brito.
Paralelamente, foram realizadas intervenções de engenharia, como a implantação de novas faixas de pedestres, travessias elevadas, melhorias na sinalização, ajustes geométricos e dispositivos de moderação de tráfego em pontos críticos.(Correio)
Foto: Mauro Akin Nassor/Arquivo CORREIO



