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MARÇO: O MÊS DA ARRUMAÇÃO POLÍTICA NA BAHIA

Redação - 02/03/2026 08:59 - Atualizado 02/03/2026

O mês de março parece distante das urnas. Não há jingles nas ruas, carreatas, debates ou a liturgia típica das campanhas. Mas é justamente neste período que se realiza a etapa mais decisiva da disputa eleitoral: a engenharia política.

É quando governo e oposição fazem os ajustes finos que definirão não apenas as chapas majoritárias, mas o tamanho das bancadas, o tempo de televisão, a capilaridade territorial e, em muitos casos, o próprio resultado da eleição.

A desincompatibilização prevista para o início de abril obriga prefeitos, secretários, dirigentes de órgãos e ocupantes de cargos estratégicos a escolher entre permanecer nos postos ou entrar na disputa. Essa escolha desencadeia uma reforma administrativa informal, reorganiza o funcionamento do governo e revela, de forma objetiva, quem será candidato e com qual projeto político. E isso vale para governo e oposição.

E março será o mês de consolidação dos nomes da chapa majoritária, com a escolha do nome de quem será candidato a vice em ambas as chapas e dos nomes que vão compor a suplência dos senadores já escolhidos.

Na base do governador Jerônimo Rodrigues, tudo indica que haverá  a manutenção do atual vice, Geraldo Júnior. O senador Jaques Wagner não se arriscaria a cravar um nome tão peremptoriamente se a escolha não já estivesse maio ou menos definida.

Isso só mudaria para dar espaço a um quadro novo, vindo da oposição como os prefeitos de Feira de Santana ou Jequié, mas, por enquanto, não parece crível. A possibilidade do ministro Rui Costa emplacar um quadro do Avante parece mínima. Por outro lado, o PSD, sob a liderança do senador Otto Alencar, parece satisfeito, mas pode voltar a pleiteiar a vice ou, pelo menos,  uma suplência no Senado.

Na oposição, o grupo liderado por ACM Neto tem como prioridade a escolha de um vice que amplie territorialmente a chapa. E aí a composição com um prefeito de cidade estratégica no interior da Bahia é a possibilidade mais concreta, embora o partido Republicanos esteja se movimentando.

Mais silenciosa, mas não menos importante, é a disputa pelas chapas proporcionais. Nela estão os nomes que, de fato, definem o tamanho das bancadas e a capilaridade eleitoral de cada grupo.

Há ainda um terceiro movimento, menos visível, mas decisivo: o posicionamento dos partidos médios. Siglas como PSD, PSB, Avante, União Brasil, PP, Republicanos e PDT e outros utilizam março para maximizar seu poder de negociação. É quando decidem quantas vagas pretendem ocupar nas chapas e qual será o tamanho de sua participação no próximo ciclo de poder. Na prática, funcionam como o fiel da balança do sistema político.

Diferentemente do que o eleitor percebe, março não é um mês de discursos, mas de planilhas. É o tempo das pesquisas qualitativas, das simulações de cenários, do cálculo de votos por território e da montagem das nominatas com base em desempenho real e não em projeções retóricas. Quando a campanha começa oficialmente, grande parte do jogo já está contratada, afinal tempo de televisão, estrutura partidária, alianças regionais e base parlamentar são definidos agora.

Por isso, embora passe quase despercebido pela opinião pública, março é o verdadeiro ponto de partida das eleições na Bahia. Não para o eleitor, que só será chamado ao debate meses depois, mas para as engrenagens do poder, que estão neste momento ajustando suas peças. (EP – 02/03/2026)

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