

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou nesta sexta-feira (20) a defesa do uso de moedas nacionais nas transações comerciais entre países membros do BRICS, destacando que não é necessário que acordos bilaterais, como entre Brasil e Índia, sejam realizados em dólar. A declaração foi dada em entrevista à emissora indiana India Today, durante visita oficial à Índia.
Lula afirmou que comércio internacional pode ocorrer diretamente com as moedas dos países envolvidos e que essa mudança, embora difícil, é possível com reflexão e diálogo entre as nações. Segundo ele, não há atualmente um debate formal dentro do BRICS para criar uma moeda comum do bloco, e a ideia de substituir o dólar não é imediata, mas sim um processo a ser construído gradualmente.
O presidente também comentou que os Estados Unidos tendem a resistir a mudanças que reduzam o papel do dólar como moeda de referência global, mas defendeu que os países pensem sobre a real necessidade dessa dependência no comércio internacional.
Críticas às tarifas comerciais dos EUA
Na mesma entrevista, Lula criticou as tarifas comerciais impostas pelos EUA, classificando-as como medidas unilaterais. Ele disse que foi por sua iniciativa que os países do BRICS realizaram uma reunião por teleconferência para emitir uma declaração conjunta contrária às tarifas. Lula reforçou a importância do multilateralismo, defendendo que políticas e decisões comerciais globais sejam construídas de forma coletiva entre as nações.
Novo Banco de Desenvolvimento e BRICS
O presidente brasileiro destacou o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), ligado ao BRICS, como uma instituição com potencial para oferecer soluções financeiras inovadoras, diferentemente de organismos tradicionais como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Segundo Lula, o banco pode responder a demandas do século XXI e apoiar iniciativas de maior integração econômica entre os países emergentes.
Política externa e conflitos internacionais
Lula reafirmou que a política externa do Brasil segue o princípio da não intervenção, condenando invasões e ações militares unilaterais, citando conflitos como o da Ucrânia e a ofensiva em Gaza. Sobre a Venezuela, disse que a solução para a crise política deve ser buscada pelo próprio povo venezuelano, sem interferência externa, criticando intervenções de outras nações em assuntos internos.
O presidente destacou ainda que o BRICS reúne algumas das principais economias emergentes do mundo com o objetivo de coordenar políticas econômicas e diplomáticas, buscar alternativas ao sistema financeiro internacional dominado pelo dólar e fortalecer a voz do Sul Global nas decisões econômicas globais.
Foto: Joédson Alves / Agência Brasil