

O Brasil conquistou Dubai com o aroma de seus cafés especiais. Uma missão envolvendo empresários do setor produtivo, realizada em janeiro, rendeu 702 contatos comerciais e um volume de negócios presencial de US$ 58 milhões. Agora, o setor projeta um salto de mais US$ 196 milhões em contratos futuros, provando que a parceria entre produtores brasileiros e o mercado árabe é o novo grande trunfo do agronegócio nacional.
O projeto “Brazil. The Coffee Nation” levou 24 empresários do setor cafeeiro para a World of Coffee 2026 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A ida foi organizada pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a ApexBrasil.
A iniciativa pode ter um ganho ainda maior para o Brasil, com os resultados podendo somar US$ 254,4 milhões ao país. O desempenho que chama a atenção supera os números registrados em 2025. Na edição anterior do evento, 23 empresários geraram US$ 191 milhões. Um crescimento de 33%.
Dubai como portal para o Oriente Médio e Leste Europeu
O potencial do Oriente Médio como destino estratégico para o café especial brasileiro ganhou novos contornos na avaliação de Vinicius Estrela, diretor executivo da BSCA. Segundo ele, os Emirados Árabes Unidos consolidam-se como o foco central do projeto de internacionalização, funcionando como uma ponte direta entre produtores nacionais e compradores globais.
A estratégia de presença brasileira direta no Golfo Pérsico não apenas amplia as oportunidades do café especial imediatas, mas também abre frentes de crescimento em mercados emergentes e promissores, como o Marrocos, Egito e nações do Leste Europeu. Para converter esse potencial em números, o Brasil montou uma estrutura de alto nível na feira, funcionando como um verdadeiro hub de oportunidades.
Depois do tarifaço, novos mercados
Para contextualizar a atual expansão rumo ao Oriente Médio, é preciso recordar que em 2025 a busca por novos horizontes foi impulsionada por barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. Com isso, o café brasileiro enfrentou a pressão de sobretaxas e medidas protecionistas.
Esse cenário de dependência de um único grande mercado forçou o setor a se reinventar, deslocando o foco da exportação de commodities para a conquista de nichos de cafés especiais. Hoje, ao consolidar negócios milionários em Dubai e no Leste Europeu, o Brasil não apenas diversifica sua carteira de clientes, mas também garante sua soberania econômica frente às oscilações e taxações das potências tradicionais.
Foto: Marcelo Casal Jr/ Agência Brasil



