quinta, 05 de fevereiro de 2026
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ALTA DE 56% NAS CORRIDAS POR APLICATIVO EM 2025 INTENSIFICA DEBATE REGULATÓRIO NO BRASIL

VICTOR OLIVEIRA - 05/02/2026 17:11

O forte aumento no preço das corridas por aplicativo no Brasil acendeu um alerta em 2026. Após uma alta acumulada de 56,08% em 2025, segundo o IBGE, o setor inicia o novo ano marcado por tensão crescente entre passageiros, motoristas e plataformas digitais. O encarecimento do serviço, no entanto, não se traduziu em melhoria proporcional na renda dos condutores, aprofundando um desequilíbrio estrutural no modelo de negócios.

Enquanto usuários reclamam de tarifas cada vez mais imprevisíveis, motoristas seguem enfrentando jornadas extensas e ganhos instáveis, pressionados por comissões elevadas, custos operacionais e pela lógica da precificação dinâmica. O resultado é um cenário em que todos os lados demonstram insatisfação, ainda que por motivos distintos.

Estudos da Universidade de Oxford e da Columbia Business School indicam que o setor opera há anos com margens comprimidas, sustentadas por estratégias agressivas de descontos e promoções. Essas práticas ajudaram a expandir a base de usuários, mas criaram distorções: passageiros percebem aumentos frequentes no valor final, enquanto motoristas convivem com variações abruptas nos ganhos diários, sem previsibilidade financeira.

Levantamento da plataforma GigU ilustra esse paradoxo. Em 2026, a renda líquida média dos motoristas  já descontados combustível, manutenção e impostos  alcança R$ 4.252,24 em São Paulo, com jornadas semanais de 60 horas. Em Belo Horizonte, 54 horas rendem R$ 3.554,58, enquanto no Rio de Janeiro, o lucro médio é de R$ 3.304,93. Embora esses valores superem parte dos empregos formais de baixa remuneração, o custo é alto: longas jornadas e ausência de proteção social.

O descompasso impulsionou o debate político. No Congresso Nacional, o Projeto de Lei 152/2025 propõe limitar a comissão das plataformas a 30% e criar mecanismos de maior previsibilidade nos repasses aos motoristas. As empresas do setor reagiram, argumentando que limites rígidos podem reduzir a oferta de veículos, afetar a viabilidade do modelo e elevar ainda mais os preços ao consumidor.

O ambiente jurídico também segue em ebulição. Decisões recentes, como a do ministro Alexandre de Moraes, que suspendeu regras municipais e facilitou o retorno das motos por aplicativo em São Paulo, reforçam o embate entre autonomia local, inovação tecnológica e regulação nacional.

Para especialistas em mobilidade urbana, o ano de 2026 será decisivo. O desafio central está em encontrar um ponto de equilíbrio entre eficiência algorítmica, sustentabilidade econômica dos motoristas e preços acessíveis ao usuário. A forma como o Brasil resolver essa equação pode redefinir não apenas o futuro dos aplicativos de transporte, mas também o papel das plataformas digitais na organização do trabalho urbano.

Foto: Reprodução

 

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