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FIEB REALIZA ENCONTRO COM SETOR VITIVINÍCOLA DA BAHIA

Matheus Souza - 04/02/2026 12:21

A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) realizou um encontro com representantes do setor vitivinícola baiano com o objetivo de aproximar a entidade das vinícolas, compreender os desafios do segmento e construir uma agenda comum de desenvolvimento. O evento reuniu 13 empresas do setor, que vão desde grandes vinícolas até nanovinícolas localizadas no Norte do estado e na Chapada Diamantina.

Durante a abertura, o presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos, destacou a importância da atuação conjunta para o fortalecimento do segmento. “O que podemos fazer juntos pelo setor industrial? Juntos temos mais força”, afirmou, ressaltando que a Federação pode contribuir especialmente nas áreas de capacitação, articulação institucional e organização de demandas do setor.

A necessidade de estruturar o mercado foi reforçada por Caroline Dani, representante da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS), que participou do evento de forma remota. Segundo ela, o Brasil é um dos países com maior potencial de crescimento no consumo de vinhos, mas esse avanço depende de maior organização do setor. “É preciso estruturar o segmento para aproveitar esse potencial de mercado”, pontuou.

Entre os principais desafios levantados pelos participantes estão a dependência de insumos vindos de fora do estado, como garrafas e rolhas, as dificuldades logísticas — especialmente nas estradas, como a conhecida Estrada do Feijão, por exemplo, que liga Morro do Chapéu a Lençóis —, além de questões fiscais, estratégicas e de capacitação. Também foram citados os impactos decorrentes do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

O sócio da Vinícola Sertania, Marcos Barberino, chamou atenção para o chamado “apagão logístico” enfrentado pelas empresas e defendeu medidas como a renúncia fiscal para atrair novos investimentos. Ele destacou ainda a evolução do setor no estado: “Em 2009, a Bahia produziu zero garrafas de vinho. Hoje, temos cinco vinícolas com alguma produção. Mesmo as nanovinícolas geram um efeito multiplicador imenso nos territórios”.

Barberino ressaltou que o vinho vai além da bebida em si, agregando valor ao território e impulsionando outras atividades econômicas, como o turismo e a hotelaria. “Uma vinícola é uma indústria artesanal, que reúne muitos saberes técnicos. Em regiões como Morro de Chapéu, a tendência é a formação de um cluster de indústria manufatureira artesanal, com identidade própria”, afirmou.

A gerente de Relações Sindicais da FIEB, Manuela Martinez, anunciou que será criado inicialmente um grupo de trabalho para aprofundar o diagnóstico do setor. “A ideia é entender as demandas, aproximar o setor da Federação e definir como ele pode estar inserido dentro do sistema. Vamos atuar em frentes como capacitação, articulação com o governo e apoio técnico”, explicou. Segundo ela, o encontro marca apenas o primeiro de muitos passos para consolidar o vinho como um setor industrial na Bahia.

Para Fabiano Borré, sócio-fundador e CEO da Vinícola UVVA, a iniciativa representa um momento decisivo para o segmento. “Todo setor precisa unir forças, transferir conhecimento e se alinhar em torno de objetivos comuns, principalmente de longo prazo. O vinho é agro, é turismo e é indústria. Integrar tudo isso à indústria é o passo final dessa jornada”, avaliou.

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