

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que anunciará sua escolha para substituir o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, na manhã desta sexta-feira (30). “Anunciarei o chair do Fed amanhã de manhã”, disse Trump no Kennedy Center na noite de quinta. “É alguém muito respeitado, conhecido por todos no mundo financeiro”, falou. Segundo múltiplos relatos da imprensa internacional, citando pessoas familiarizadas com a decisão, o escolhido será Kevin Warsh, ex-membro do Fed.
Segundo a Reuters, Trump e Warsh se encontraram na quinta-feira, o que teria selado a escolha. Desde então, apostas em plataformas como a Polymarket passaram a precificar uma vitória quase certa de Warsh, com as probabilidades saltando para cerca de 85% na noite de ontem.
O Financial Times observa que o nome de Warsh emergiu como franco favorito, superando outros cotados após sinais de que a Casa Branca esfriou a candidatura de Rick Rieder, da BlackRock. Mas o jornal britânico observa que a lista final segue com nomes como Christopher Waller, atual membro do conselho do Fed, e o economista Kevin Hassett, assessor econômico de Trump.
A definição do nome tende a reduzir uma incerteza que paira sobre os mercados há meses, ao oferecer um sinal mais claro sobre o rumo da política monetária a partir do segundo semestre. Para investidores ouvidos pela Reuters, Warsh é visto como um nome relativamente mais “hawkish” entre os candidatos, ou seja, sobretudo por defender uma redução mais agressiva do balanço do Fed, ainda que seja favorável a juros mais baixos.
A reação inicial incluiu alta do dólar, elevação dos yields longos dos Treasuries e queda de ativos sensíveis à liquidez, como ouro, ações e Bitcoin (BTC). A escolha de Warsh encerraria uma disputa interna prolongada dentro do governo Trump e marcaria o retorno de um ex-dirigente que se tornou um crítico contumaz do próprio Fed.
Warsh perdeu a disputa para Powell em 2017 e Trump já declarou publicamente arrependimento por não tê-lo escolhido à época. Mais recentemente, Warsh passou a se alinhar com posições centrais do atual governo, defendendo cortes de juros mais rápidos e falando em “mudança de regime” na condução da política monetária. A indicação, se confirmada, ainda teria que passar pela sabatina no Senado. Parlamentares republicanos, liderados pelo senador Thom Tillis, ameaçam bloquear qualquer nome indicado enquanto não for encerrada a investigação do Departamento de Justiça sobre o depoimento de Powell a respeito das reformas na sede do Fed. (Infomoney)
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