

A liquidação extrajudicial da Will Financeira, determinada pelo Banco Central, trouxe à tona os debates sobre a desconfiança de parte dos consumidores em relação às fintechs. Nas redes sociais, boatos sobre possíveis falências se espalharam, atingindo marcas conhecidas, como Nubank.
Após a repercussão, o banco emitiu um comunicado oficial negando qualquer risco de encerramento das atividades e classificando os conteúdos como fake news. O episódio, no entanto, levanta questionamentos sobre quais bancos digitais são seguros.
Para especialistas, a resposta não está no nome da marca nem no fato de a instituição ser digital, mas sim em critérios técnicos como governança, capital próprio, controle de risco, histórico de atuação e transparência.
O educador financeiro Raphael Carneiro explica que a segurança de um banco não está relacionada ao formato — físico ou digital —, mas à forma como ele é administrado. Bancos tradicionais como Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander existem há décadas, atravessaram diferentes crises econômicas e construíram reputação ao longo do tempo, o que gera maior sensação de segurança para o público.
“O que define se um banco é sólido não é ser digital ou físico, mas a gestão, a governança, o capital, o controle de risco e a estrutura financeira”, afirma Raphael Carneiro. A Will Financeira, que foi liquidada, já havia tido uma sequência de problemas de endividamento e gestão, que já vinham sendo monitorados pelo Banco Central.
Esse cenário, segundo Raphael, é diferente do de grandes bancos digitais, que possuem estruturas mais robustas, maior volume de capital, governança mais consolidada e fiscalização constante dos órgãos reguladores.
Por dentro dos bancos
No caso do Nubank, por exemplo, a instituição possui capital aberto, é listada na Bolsa de Nova York e segue critérios rígidos de transparência e governança corporativa exigidos de empresas desse porte. Em 2024, inclusive, superou a Petrobras em valor de mercado, o que indica um nível elevado de solidez — ainda que, como qualquer banco, não exista risco zero.
A educadora financeira Suelen Neves reforça que a escolha de um banco digital deve envolver critérios básicos de segurança. Entre as principais recomendações estão: verificar se a instituição é autorizada pelo Banco Central, pesquisar a reputação entre clientes e evitar concentrar todo o dinheiro em um único banco. “Nem tudo que parece acessível realmente é acessível. É importante entender o que está por trás das promessas de facilidade e rendimento, porque, muitas vezes, o barato pode sair caro”, afirma.
Um dos principais indicadores técnicos usados para medir a saúde financeira de um banco é o Índice de Basileia. Ele mostra a relação entre o capital próprio da instituição e os seus ativos de risco, como empréstimos e financiamentos.
No Brasil, o Banco Central exige que os bancos mantenham um índice mínimo de 11%. Isso significa que, para cada R$ 100 emprestados, a instituição precisa ter pelo menos R$ 11 de capital próprio para absorver possíveis prejuízos em caso de inadimplência.
O que o cliente deve observar
(Correio)
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