

Com cerca de 8 milhões de brasileiros afetados pela infertilidade, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), a adoção de hábitos saudáveis tem sido cada vez mais destacada por especialistas como um importante aliado da saúde reprodutiva. Entre esses hábitos, a prática regular de atividades físicas se destaca por seu impacto positivo tanto na fertilidade feminina quanto masculina, inclusive durante tratamentos de reprodução assistida. “A atividade física vai muito além da estética ou do condicionamento físico. Quando praticada de forma regular e orientada, ela favorece o equilíbrio hormonal, melhora o funcionamento do organismo e ajuda a reduzir fatores que podem dificultar a concepção”, afirma Dra. Genevieve Coelho, Diretora Médica do IVI Salvador.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a infertilidade atinge entre 10% e 15% dos casais em idade reprodutiva e é definida como a dificuldade de engravidar após um ano de relações sexuais regulares sem uso de métodos contraceptivos. Nesse contexto, manter um estilo de vida ativo pode contribuir diretamente para o equilíbrio hormonal, a melhoria da circulação sanguínea, o controle do peso corporal e a redução do estresse, fatores que influenciam o funcionamento do sistema reprodutivo.
Nas mulheres, a prática de exercícios físicos moderados pode auxiliar na regulação do ciclo menstrual e na produção de hormônios essenciais para a ovulação, como estrogênio e progesterona. Além disso, contribui para o controle do peso corporal, aspecto diretamente relacionado à fertilidade, já que tanto o excesso quanto a falta de gordura podem provocar desequilíbrios hormonais. Em casos de mulheres que sofrem com a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), a atividade física regular também pode melhorar a sensibilidade à insulina e favorecer maior regularidade do ciclo menstrual.
O impacto positivo da atividade física também se estende à fertilidade masculina. Estudos científicos apontam que homens que praticam exercícios de intensidade moderada tendem a apresentar melhor qualidade seminal quando comparados a homens sedentários. A prática regular contribui para a redução do estresse, melhora da qualidade do sono e otimização dos níveis hormonais, como a testosterona, fundamental para a produção de espermatozoides.
Outro fator relevante é o impacto do exercício físico sobre o estresse emocional. A liberação de endorfina e serotonina durante a prática ajuda a reduzir os níveis de cortisol, conhecido como o “hormônio do estresse” que, em excesso, pode interferir negativamente na fertilidade. “O estresse emocional é um dos fatores que mais impactam a saúde reprodutiva. Um estado emocional mais equilibrado favorece o funcionamento do organismo como um todo, inclusive do sistema reprodutivo”, explica a Dra. Genevieve.
Apesar dos benefícios, especialistas alertam que o excesso de atividade física pode ter efeito contrário. Treinos muito intensos, exaustivos ou realizados sem acompanhamento profissional podem levar à queda nos níveis hormonais, irregularidade menstrual e até a ausência de ovulação. A Organização Mundial da Saúde recomenda entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada, como caminhada, natação, musculação leve ou hidroginástica.
Durante tratamentos de reprodução assistida, como inseminação artificial ou Fertilização in Vitro (FIV), o exercício pode ser praticado, observando alguns cuidados. As alterações hormonais provocadas pelos protocolos exigem adaptações na rotina de exercícios, priorizando atividades de baixo impacto e evitando práticas extenuantes, especialmente em fases como a da estimulação ovariana. A especialista, do IVI Salvador, reforça ainda que a atividade física é apenas uma parte de um conjunto de fatores que contribuem para a fertilidade. Alimentação equilibrada, abandono do tabagismo, moderação no consumo de álcool e acompanhamento médico regular são igualmente importantes para promover a saúde reprodutiva e aumentar as chances de uma gestação saudável.
Sobre o IVI – RMANJ
IVI nasceu em 1990 como a primeira instituição médica na Espanha especializada inteiramente em reprodução humana. Atualmente são em torno de 190 clínicas em 15 países e 7 centros de pesquisa em todo o mundo, sendo líder em Medicina Reprodutiva e o maior grupo de reprodução humana do mundo.