
A gente teve a manutenção da taxa básica de juros conforme era esperado, e agora o que que é o grande destaque vem no último parágrafo, no qual o Banco Central sinaliza de forma bastante explícita, e essa é a surpresa, que o Comitê, em se confirmando o cenário esperado, antevê iniciar a flexibilização da política monetária já na próxima reunião. E reforça também algo que está bastante no nosso cenário aqui no escritório, de que apesar de iniciar esse ciclo já na próxima reunião, o piso para esse ciclo, pelo menos para essa primeira pernada, tende a ser alto.
Acredito que o ciclo de cortes não deve ir muito longe. Deve parar em um patamar (piso) ainda alto, tipo 13,00%-12,00%, bem acima de 2 dígitos.
Então, ele comenta manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Ou seja, devemos continuar observando a Selic em patamar bastante contracionista apesar do início do ciclo de cortes. Pelo menos para esse ano e após isso, claro que existe um fator eleitoral e isso tende a afetar bastante próximas decisões.
O que a gente teve foi um tom, no geral, levemente menos restritivo em relação ao comunicado anterior, mas sinalizando que as projeções para o horizonte relevante começam a ficar mais próximas do centro da meta. Reforça, principalmente, o mercado de trabalho e a inflação de serviços, que são dois pontos super importantes na análise do Banco Central e que vinham restringindo um pouco mais de otimismo nos comunicados. Então, eles ressaltam que mercado de trabalho e inflação mostraram uma tendência de suavização também e melhora no sentido do que o Banco Central espera, embora ainda desafiadores.
A inflação segue acima da meta para este ano reforçando então que o corte deve ser paulatino mantendo a Selic em patamar bastante contracionista. O Banco Central abre a porta, ou até eu diria que se compromete com um corte na próxima reunião, caso não haja nenhuma grande incerteza ou nenhum fator exógeno que mude radicalmente as perspectivas.
Em tempo, espero corte de 25 pontos-base na próxima reunião ainda mais pelo fato do comitê ter citado “serenidade” para as próximas decisões. Devemos amanhã ter bolsa subindo, dólar caindo e curva de juros fechando, já que o comitê deixou bem explícito que deve reduzir os juros na próxima reunião.