

A desaceleração na abertura de novas farmácias no Brasil e o aumento da pressão competitiva no varejo farmacêutico vêm redesenhando a dinâmica do setor. Segundo levantamento da Abradilan, a taxa de abertura de farmácias no país despencou quase 40%, reflexo de um cenário marcado por margens mais apertadas, aumento de custos operacionais e maior dificuldade de sobrevivência para o pequeno varejo independente. O movimento indica um ponto de inflexão: crescer deixou de significar abrir novas lojas e passou a exigir eficiência, escala e reorganização estrutural.
A Bahia combina crescimento do consumo, forte presença de empreendedores locais e um varejo farmacêutico altamente pulverizado — especialmente em cidades do interior, onde farmácias independentes enfrentam desafios como baixa maturidade em gestão, dificuldade de negociação com fornecedores e sobrecarga operacional dos proprietários. Ao mesmo tempo, redes nacionais ampliam sua atuação, elevando o nível de competição por preço, eficiência e conveniência.
Diante desse cenário, a simples abertura de novas lojas deixou de ser o principal caminho de expansão. Modelos baseados na conversão de bandeira e na profissionalização de farmácias independentes vêm ganhando espaço como resposta estrutural às mudanças do mercado. É nesse contexto que o Grupo AMR Saúde, detentor das bandeiras Drogaria Americana, Farma Justa e Poupe Já, vem ampliando sua atuação no estado. Com origem mineira, mais de 460 unidades no país e faturamento de R$ 1,5 bilhão em 2025, o grupo registrou seu maior crescimento em 18 anos, impulsionado principalmente pela estratégia de conversão. A lógica é fortalecer o pequeno empresário local com tecnologia, escala de compras, processos de gestão, capacitação de equipes e acesso a ferramentas digitais — tornando o negócio mais competitivo sem a necessidade de começar do zero.
Atualmente, a AMR conta com seis lojas na Bahia — quatro em operação e duas em fase de implantação — distribuídas em municípios como Morro do Chapéu, Nova Soure, Irecê, João Dourado e Ipirá. A escolha por cidades do interior reflete a leitura de que há espaço para ganhos relevantes de eficiência em praças onde o varejo farmacêutico ainda opera de forma pouco estruturada.
“A Bahia reúne um ambiente econômico favorável, com crescimento do consumo e forte presença de empreendedores locais. Em poucos meses, já conseguimos avançar de forma consistente, o que mostra que existe espaço para uma expansão organizada e sustentável no varejo farmacêutico”, afirma Lucas Félix, coordenador de operações do Grupo AMR Saúde.
Os resultados ajudam a explicar esse avanço. No Nordeste, as operações do Grupo AMR crescem 34,23%, enquanto o mercado farmacêutico regional avança 11,45%. O ganho é sustentado por investimentos contínuos em tecnologia e capital humano, com a capacitação de cerca de 17 mil pessoas em toda a operação do grupo. No período, o volume de clientes cresceu 9,5% e as transações entre drogarias e fornecedores ultrapassaram R$ 1 bilhão.
Além do impacto operacional, o modelo de conversão gera efeitos econômicos diretos nas praças onde é implementado. O investimento médio por loja gira em torno de R$ 200 mil, valor inferior ao necessário para a abertura de uma unidade do zero, estimada em cerca de R$ 450 mil. Considerando as unidades em operação e implantação na Bahia, a atuação da AMR representa uma injeção estimada entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,6 milhão na economia baiana.
Em termos de faturamento, dados internos indicam que o faturamento médio por ponto de venda do Grupo AMR é de aproximadamente R$ 240 mil mensais. Apenas as unidades já presentes na Bahia representam um potencial anual superior a R$ 11,5 milhões em vendas, com tendência de crescimento à medida que novas conversões avancem.
“Quando entramos em uma farmácia, o objetivo não é apenas mudar a bandeira, mas tirar o dono da operação pesada do dia a dia e colocá-lo em um papel mais estratégico. Isso traz mais equipe, mais estrutura e um negócio sustentável no longo prazo”, destaca Félix.
Embora a Bahia seja o foco inicial, o modelo também avança em outros estados. Hoje, o Grupo AMR mantém 114 lojas no Nordeste, distribuídas entre Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Bahia. A estratégia, no entanto, é tratar cada mercado de forma individual, respeitando as especificidades econômicas de cada praça.
A combinação entre crescimento econômico, interiorização do consumo e necessidade de eficiência reforça a Bahia como um dos principais pontos dessa nova fase do varejo farmacêutico brasileiro — em que expansão deixa de ser apenas número de lojas e passa a significar reorganização estrutural do setor.



