

No sábado, 17 de janeiro, a partir das 15 horas, o Alfabeta ocupa as ruas do Rio Vermelho com um desfile aberto ao público. Na sequência, a Festa Apósteose reúne Portella Açúcar, referência da música negra e periférica, a Casa Criola, coletivo ligado à cultura Ballroom e ao Vogue, e a DJ Nate Monaco, colecionadora e pesquisadora musical que busca fundir a diversidade dos sons brasileiros, na Casa Rosa. A estreia do bloco materializa um projeto cultural que também se tornou objeto de pesquisa acadêmica, ao articular samba, diversidade LGBTQIAPN+ e acessibilidade como exercício de cidadania no espaço urbano.
A iniciativa é estudada pela pesquisadora baiana Juliana Feitoza, aluna especial do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania da Universidade de Brasília (UnB). Sua pesquisa de mestrado investiga as conexões entre o direito de ser, estar e permanecer e a construção da cidadania LGBT+, articuladas ao marcador social da deficiência, tendo o Alfabeta como estudo de caso.
“Minha investigação parte do direito de ‘resistir e re-existir’ das pessoas LGBT+ com deficiência, a partir da minha própria perspectiva enquanto mulher com deficiência”, explica Juliana Feitoza, que desenvolveu seus estudos com a professora Silvia Badim e com James Green, professor emérito da Brown University e referência internacional nos estudos sobre história LGBT+ no Brasil.
Formada em Direito pela UFBA, ex-defensora pública federal e hoje consultora legislativa da Câmara dos Deputados, a pesquisadora destaca que o diferencial do Alfabeta está na prática cotidiana da inclusão. O bloco promove vivências educativas, ensaios percussivos abertos e planeja sua ocupação do espaço urbano com a acessibilidade como princípio. “Há PCDs entre os integrantes e prioridade explícita na organização do desfile”, afirma.
Para a pesquisadora, o Alfabeta dá ao Carnaval um propósito social de transformação e conscientização, ao afirmar o direito à rua e à presença da comunidade LGBTQIAPN+. Para ela, quando essa reivindicação se articula à deficiência, reforça a cidadania de sujeitos historicamente atravessados por múltiplas exclusões.
Resgatando sambas com dissidências sexuais e de gênero
O ineditismo também se expressa no repertório musical, que inclui sambas com dissidências sexuais e de gênero, como “Camisa Listrada”, do baiano santoamarense Assis Valente, cuja obra permite releituras críticas fora dos padrões heteronormativos. “Resgatar esses sambas é fortalecer um patrimônio LGBT+ no samba”, analisa Juliana Feitoza.
Após o desfile, a programação segue com a Festa da Apósteose, na Casa Rosa. “Ao ocupar Salvador, o Alfabeta reafirma que o Carnaval pode ser, simultaneamente, festa, pesquisa, memória e transformação social e que o samba sempre foi mais diverso do que a história oficial permitiu contar”, finaliza a pesquisadora.
Programação:
– Sábado, 17 de janeiro de 2026
– 15 horas: O desfile: Primeira saída do Bloco Alfabeta na Rua do Meio (Rio Vermelho). Concentração aberta e acessível.
– 18 horas: A Apósteose: After oficial na Casa Rosa (Praça Colombo, 106. Rio Vermelho). Atrações: Portella Açúcar, Casa Criola (Vogue/Ballroom) e DJ Nate Monaco. Acessibilidade: Libras, audiodescrição e equipe de acolhimento PCD. Ingressos: R$ 50 (lote promocional) e R$ 100 (inteira solidária), disponíveis na plataforma Sympla ( https://www.sympla.com.br/evento/festa-da-aposteose-2026-com-portella-acucar-e-casa-criola/3265302
(Divulgação)