sexta, 06 de fevereiro de 2026
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ORELHA, NÓS TE OUVIMOS

Redação - 04/01/2026 05:00 - Atualizado 04/02/2026

É doloroso até mesmo escrever. Talvez porque esse texto não parte de um lugar meu: eu me conheço, me administro, me protejo e protejo os meus. Mas há vulnerabilidades externas que estão além do meu alcance de proteção, do nosso alcance. E é aí que o maior horror se faz. No todo do qual faço parte.

A dor de um cachorro comunitário que morre de forma brutal nas mãos de uma elite criminosa, não instala apenas um incômodo amargo na gente, mas um luto agressivo diante dos símbolos de impunidade, lealdade, comunidade e incondicionalidade. Então existe nessa dinâmica não só tristeza, mas despertencimento. É uma sensação, coletiva e tenebrosa, de ruptura diante do que sabíamos sobre o amor que evoca um cachorro, a sua inocência e sua doação sem cobranças, sem luxos, sem posses.

Animais encantam pela sustentabilidade de ser, simplesmente. Eles são originais, inteiros, instintivos e desprendidos de crueldade inata. Animais são o que são. E doam essa integridade valiosa como uma forma de aconchego e refinamento à exaustiva dualidade humana.

Na causa Orelha há quem se indigne, há quem chore, quem reivindique e também quem questione a razão de tanta comoção por um cão ao invés de por outras causas. Para esses últimos, acho que resta apenas o impacto esmagador do grito coletivo sobrepondo a tentativa de equiparar contextos, ou de refletir as próprias angústias em um momento de pura ferida social.

Na busca pela transformação desse horror, idealizei a Fundação Orelha e o Fundo Orelha. Que dentre outras propostas, terão o objetivo de doar sempre um percentual de todos os meus trabalhos magísticos para instituições voltadas ao cuidado de cães, gatos e outros animais. Ambas sem qualquer fim lucrativo. Mas falarei sobre isso adiante, já que nesse momento prefiro libertar esse texto e deixar o que sinto se expandir nas mentes e corações de quem me lê.

Orelha veio, enfim. Viveu, nutriu, alegrou, amou. E revelou. O som que ele ecoou, não só na sua partida, mas na qualidade sensível de sua existência, não passou em branco.

Orelha, nós te ouvimos.

*(Bluma)

*Bluma Santana (@blumadelarosa) é escritora e artista. Tem dois trabalhos autorais publicados, diversos artigos e textos no âmbito da filosofia, ocultismo e metafísica, publicados e compartilhados em sites, blogs e mídias sociais

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