O tabagismo é apontado como uma das principais causas evitáveis de doenças oculares. No Brasil, estima-se que cerca de 16% da população seja fumante, e o cigarro contém milhares de substâncias tóxicas que afetam diretamente a saúde dos olhos. Especialistas contam que, de modo geral, as toxinas presentes na fumaça provocam coceira, vermelhidão e lacrimejamento nos olhos, tanto para quem fuma quanto para quem acaba fumando passivamente. “Quem fuma de forma constante, a longo prazo o fumo pode afetar a circulação sanguínea, diminuir a quantidade de antioxidantes no sangue e, assim, prejudicar a visão. E um dos prejuízos pode ser a opacificação da estrutura ocular, contribuindo para o aparecimento da catarata”, explica a oftalmologista Dra. Camila Koch, que atua no Instituto de Olhos Freitas – unidade de saúde que pertence à Rede Integrada Opty, na Bahia.
Em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, a médica oftalmologista conta ainda que o tabagismo compromete a lubrificação ocular, resultando na síndrome do olho seco, cujos sintomas incluem vermelhidão, ardência, sensação de areia nos olhos e coceira, agravados pela fumaça e pela instabilidade do filme lacrimal. “Além disso, o ato de fumar está associado à degeneração macular, que causa perda gradual da visão central, tornando a leitura e direção mais difíceis. Outras complicações incluem agravamento da retinopatia diabética, aumento da pressão intraocular (glaucoma) e risco maior de uveíte e problemas no nervo óptico”, alerta Dra. Camila Koch.
A boa notícia, segundo o também oftalmologista Murilo Barreto – da OftalmoDiagnose, que também integra a Opty no estado, é que a prevenção e a cessação do tabagismo podem reverter ou reduzir significativamente esses riscos. “Parar de fumar melhora a oxigenação e circulação nos tecidos oculares, ajudando a frear a progressão da degeneração macular, catarata ou da irritação causada pelo olho seco. A recomendação inclui consultas regulares com oftalmologista, pelo menos uma vez ao ano, exames de rotina, proteção UV com óculos escuros, dieta rica em antioxidantes (frutas, vegetais) e, acima de tudo, a interrupção do tabagismo como medida mais eficaz para proteger sua visão”, recomenda o oftalmologista.
Cigarro eletrônico
No caso do cigarro eletrônico, para os pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, a fumaça também pode aumentar o risco de problemas oculares – usuários têm 34% mais chances de sofrer de condições nos olhos do que pessoas que nunca usaram o “vape”. Neste contexto, Murilo Barreto conta que “a fumaça produzida por este tipo de cigarro, é criada pelo aquecimento de um líquido que contém várias substâncias químicas – pode causar o ressecamento dos olhos, irritação e inflamação da conjuntiva – que é a membrana que forra a parte anterior do globo ocular e a parte interna das pálpebras”. Ele lembra também que, ao aparecer qualquer incômodo nos olhos, é fundamental não hesitar em procurar ajuda de um oftalmologista, afinal, o quanto antes o problema for detectado, maior será a probabilidade de cura.
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