quinta, 28 de agosto de 2025
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ARMANDO AVENA – A NOVA ECONOMIA DO INTERIOR DA BAHIA

Redação - 28/08/2025 08:57 - Atualizado 28/08/2025

A economia baiana passa por um processo de descentralização econômica rumo ao interior do Estado em regiões específicas. Uma dessas regiões é o Oeste da Bahia, cujo PIB deu um salto sem precedentes. O PIB dos municípios da  Bacia do Rio Grande mais que duplicou sua participação no PIB da Bahia, pulando de 3,5% em 2002 para 8,3% em 2021, último dado disponível. Na verdade, cinco municípios são os responsáveis por essa revolução: Luís Eduardo Magalhães, Barreiras, São Desidério, Formosa do Rio Petro e, Riachão das Neves.

Para se ter uma ideia do impacto desse número, no mesmo período, a Região Metropolitana de Salvador, reduziu sua participação no PIB total da Bahia de 45,8% para 39,3%. E Salvador, que em 2002 gerava 20,4% do PIB, caiu para 17,8% em 2021. Claro, a Bahia é um estado industrial e apenas o município de Camaçari, que gera 9,6% do PIB, supera todos os municípios da Bacia do Rio Grande, mas, em termos de incremento anual, eles estão crescendo muito mais rapidamente.

Outra região do interior da Bahia que vem incrementando seu crescimento é a região de Feira de Santana, chamada de Portal do Sertão. Essa região, com cerca de 17 municípios, eleva sua participação na riqueza produzida no Estado de 4,5% em 2002 para 7% em 2021.  Naturalmente, Feira de Santana, um grande centro de serviços, com uma indústria de porte e sendo o maior entroncamento rodoviário da região Nordeste polariza toda região e vem mantendo dinamismo.

Agreguemos mais duas regiões que deram um salto na formação do PIB: o território denominado Sertão Produtivo, com destaque para os municípios de  Brumado, Guanambi e a produção de minerais e café, que elevou sua participação de 1,7% para 3%; e o território conhecido como Litoral Norte e Agreste Baiano, cujo pólo é Alagoinhas, com forte produção industrial e  agronegócio.

Pois bem: essa quatro regiões vem crescendo de forma mais rápida que outras e já representam 21% do PIB da Bahia. Naturalmente, outras regiões mantêm sua importância econômica, como o Litoral Sul, que tem Ilhéus e Itabuna como metrópole  e o  Sudoeste baiano, polarizado por Vitória da Conquista, mas, ambas, vem perdendo participação.

O dinamismo econômico recente dessas regiões vem fortalecer a necessidade de resolver o gargalo ferroviário da Bahia e torna imprescindível a construção da cruz ferroviária que, com a Ferrovia de Integração Oeste e Leste e o corredor Minas/Bahia da Ferrovia Centro Atlântica (e outros tramos) integrará a Bahia de Norte a Sul e de Leste a Oeste. O potencial econômico no âmbito de minérios e do agronegócio e o fato da produção de grãos no Oeste da Bahia ter triplicado no período demonstram também que há potencial de cargas para viabilizar os trechos ferroviários, especialmente se estiverem integrados com a FIC –Ferrovia de Integração do Centro Oeste e a Norte Sul. O potencial do interior da Bahia é óbvio, especialmente se for agilizado a concessão da Rota 2 de julho (antiga Via Bahia) e de outras rodovias. As informações são de estudo da SEI sobre territórios de Identidade.

         ENERGIA EÓLICA E CURTAILMENT,

A  indústria de energia eólica no Brasil e também na Bahia está em crise. E o motivo maior é o curtailment. O palavrão significa o desligamento das plantas eólicas pelo ONS – Operador Nacional do Sistema, para evitar sobrecargas de transmissão, o que pode derrubar a rede. A redução da energia que os projetos eólicos podem produzir, faz cair a receita esperada na época em que os contratos foram assinados.

Isso ocorre por vários motivos, especialmente o excesso de energia, sem  linhas de transmissão suficientes. Resultado: os novos projetos de parques eólicos vão cair a menos da metade, cerca de 2 GW, em 2025. Prejuízo para a Bahia e o Nordeste, que detém mais de 85% da produção.

                      JUROS: ESQUERDA E DIREITA

Só há um assunto capaz de fazer concordar a esquerda e a direita no Brasil: juros altos. O antigo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, um homem de direita e considerado ortodoxo, elevou a taxa de juros brasileira para 15%. Já o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, um homem de esquerda, está se mostrando mais ortodoxo do que seu antecessor, mantendo a taxa de juros no mesmo patamar, mesmo com a inflação medida pelo IPCA, estando em 0,25% há três meses consecutivos. Em agosto, provavelmente haverá deflação, mas a Selic não vai cair: a desculpa será novamente a crise fiscal, ameaça que nunca chega. No mercado financeiro, esquerda e direita estão do mesmo lado.

Publicado no jornal A Tarde em 28/08/2025

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