Há gerações, as famílias do Quilombo Dandá, localizado no município de Simões Filho, cuidam da terra como quem cuida de um parente. A sabedoria ancestral da comunidade guia o trabalho cotidiano de proteger os recursos naturais e essa íntima relação com o meio ambiente foi reforçada recentemente, quando a comunidade ingressou no projeto Guardiões das Águas, coordenado pela Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa). O projeto, cujo segundo ciclo deve ser licitado no prazo de 60 dias, é responsável pela recuperação de nascentes e margens de rios através do plantio de espécies vegetais nas bacias dos rios Joanes e Jacuípe, importantes mananciais utilizados pela companhia para abastecimento humano.
“O Guardiões das Águas estimula que pequenos agricultores familiares e comunidades rurais se tornem defensores do meio ambiente, adotando práticas sustentáveis de produção e cuidando das nascentes e da vegetação nativa que protege o solo, além de disseminar outras boas práticas agropecuárias”, define Fabrício Tourinho, gerente socioambiental da Embasa.
Banhado pelo rio Joanes em seu território, um dos mananciais responsáveis por abastecer cerca de 40% da região metropolitana de Salvador, o Quilombo Dandá recebeu os técnicos do Guardiões das Águas no ano de 2021 e, hoje, as mais de 12 mil mudas plantadas à época já integram a nova paisagem vegetal em processo de recuperação em 7,3 hectares de extensão. Além de espécies arbóreas nativas, foram plantadas mudas frutíferas como goiaba, seriguela, acerola e açaí. “Até o momento, fazemos a colheita somente para consumo da comunidade. Mas já estudamos a possibilidade de comercializar a produção”, afirma a líder quilombola Sandra de Santana, mais conhecida como Lôra.
A líder quilombola destaca que o projeto também promoveu oficinas de educação ambiental que multiplicaram conceitos de preservação na comunidade, formada há mais de 250 anos. “Já temos uma relação ancestral com a natureza e o projeto veio para reforçar esse compromisso. O Guardiões das Água é uma iniciativa importante e que deve ser fortalecida”, avalia Lôra.
No território do Quilombo Dandá, a recuperação vegetal foi realizada em 13 nascentes e também às margens do rio Itamboatá, um dos afluentes do Joanes. O projeto concluiu, ainda, a instalação de mais de 3,2 mil metros de cercas no perímetro das nascentes e do rio, uma garantia a mais para a conservação dessas áreas tão importantes para a preservação do manancial.
Foto: Projeto Guardiões das Águas/Divulgação