Desde maio deste ano, esta coluna afirma que a economia brasileira vem crescendo e os resultados do PIB no 2º semestre de 2024 confirmaram a previsão. O PIB cresceu 1,4% em relação ao 1º trimestre e 3,3% em relação ao 2º trimestre do ano passado. Como a maioria dos economistas brasileiros que atualmente falam na imprensa são ligados ao mercado financeiro, eles erraram suas previsões, pois esperavam uma alta de apenas 0,6%, no máximo de 0,9%.
O resultado mostra a pujança da economia brasileira e, se fosse anualizado – se o resultado se repetisse em todos os trimestres –, o Brasil cresceria 6%, desempenho digno da China. Não se pode anualizar o resultado, mas é possível dizer que ele já garante, por causa da herança estatística, que o Brasil vai crescer, no mínimo, 2,5%, mesmo se houver desaceleração nos próximos trimestres. Como não há qualquer sinal de desaceleração e a economia segue crescendo no semestre que começou em julho, é possível afirmar que o Brasil vai crescer em torno de 3,5% em 2024, pouco menos ou mais. O mercado financeiro e os economistas que a ele atendem já falam em desaceleração nos dois últimos trimestres do ano, mas o crescimento do investimento diz o contrário. A Formação Bruta de Capital Fixo cresceu 2,1% no 2º trimestre, comparado ao trimestre anterior e cresceu 5,7% quando comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Isso significa que o empresariado brasileiro está investindo forte, e é este investimento que vai garantir o crescimento futuro. Mesmo se houver elevação nos juros, seus efeitos só serão sentidos no final de 2024.
Do lado da demanda, o consumo das famílias, que representa 65% do PIB, cresceu 1,3% e era óbvio que isso ocorreria, afinal, houve aumento da renda, reajuste real do salário-mínimo e a taxa de desemprego vem caindo mensalmente e chegou a 6,8% no trimestre, o melhor patamar dos últimos 10 anos. O consumo do governo também aumentou, mas ele representa pouco na formação do PIB, e o crescimento gera aumento na arrecadação, o que mantém a questão fiscal no mesmo patamar.
Do lado da oferta, o crescimento do PIB está disseminado por todos os setores, com exceção do setor agropecuário que, como já era esperado, registrou redução nas safras de soja e milho. Mas a indústria de transformação cresceu 1,8% em relação ao trimestre anterior e 3,6% em relação ao ano passado. E a construção civil cresceu 3,5% em relação ao trimestre anterior. Já o setor de serviços cresceu 1% e o comércio 1,4%. A tragédia no Rio Grande do Sul, teve impacto mínimo, como, aliás, essa coluna previu, lembrando que em eventos como esses a resposta econômica vem em forma de crescimento com a mobilização total da população e do governo em prol da reconstrução.
Com esses dados, e levando em conta que o PIB brasileiro cresceu 2,9% em 2023, já é possível dizer que, se não houver uma grande crise, a taxa de crescimento média do PIB entre 2023 e 2025 será a maior dos últimos 40 anos.
O GOVERNO E A BRASKEM
A aquisição da Braskem por um grupo internacional saiu do radar após a petroleira dos Emirados Árabes desistir do negócio. Neste momento o foco é nacional, e o governo federal tem interesse em estimular a retomada do setor petroquímico, no qual a Braskem é líder. A Novonor e a Petrobras, que detém 38% e 36% do controle da empresa da empresa, já propuseram aos bancos credores – Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e BNDES – que convertam suas dívidas em ações da Braskem e passem a administrar a empresa. Esses bancos têm ações dadas como garantia de uma dívida de R$ 15 bilhões. Mas fontes ouvidas por essa coluna não descartam a possibilidade da Petrobras propor algo diferente.
A BAHIA E AS BATERIAS
O anúncio de que a Bravo Motor Company Brazil Energy S.A vai instalar uma fábrica de baterias de lítio na Bahia, a primeira da América Latina, no município de São Sebastião do Passé fortalece a tese de que a Bahia pode ser tornar um grande polo de eletromobilidade, até porque a BYD também anunciou que vai produzir baterias em Camaçari. A Bravo anunciou que investirá R$ 1,27 bilhão e que a produção será focada em bateria de tração e energia. Ainda é preciso montar a engenharia financeira do projeto, que tem previsão de começar em 2025, mas há um mercado amplo a ser atendido: energia elétrica, setor automotivo, de equipamentos industriais, robóticos, indústria 4.0 e da construção.
Publicado no jornal A Tarde em 05/09/2024