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ENCHENTES NO RIO GRANDE DO SUL REDUZ NÚMERO DE VINHOS DE PRATELEIRAS EM SALVADOR

João Paulo - 15/05/2024 06:59 - Atualizado 15/05/2024

A tragédia que atinge o Rio Grande do Sul desde o início deste mês tem causado impactos na população e empresários baianos e gaúchos temem esgotamento de vinhos nas prateleiras da capital. O atraso de produtos é realidade em algumas lojas de Salvador, onde alguns rótulos estão em falta. O vazio na prateleira de uma loja de vinhos na Pituba, em Salvador, dá sinais de que algo não vai bem. Em dias normais, o espaço seria preenchido com rótulos vindos do Rio Grande do Sul – maior produtor do país.

As chuvas e alagamentos torrenciais criam obstáculos nas estradas que cortam o estado, o que interfere no abastecimento de lojas locais. Ana Frantz, dona de duas lojas de vinhos na capital baiana, conta que os prazos de entrega quase dobraram neste mês. A empresária aguarda um carregamento de 50 caixas de vinhos, com 300 itens no total.

“O atraso é real. Anteriormente levava, em média, dez dias para receber os produtos, agora a previsão é de sete dias a mais”, conta. O escoamento é feito, principalmente, por via terrestre. “A grande dificuldade é em relação às estradas. Houveram quedas de pontes, deslizamentos de terras, as pontes estão comprometidas e até o tráfego de carro está mais difícil”, relata Ana Frantz em entrevista ao Jornal Correio.

A produção em si dos vinhos não foi tão impactada, porque a safra, que teve início em janeiro, terminou em abril. Mesmo assim, a lama atingiu grandes produtores de vinho da Serra Gaúcha. A vinícola Valparaíso, localizada no município de Barão, por exemplo, não tem faturamento há duas semanas. Cerca de 20% da produção do local é destinada para Salvador. O espaço onde os vinhos são feitos, chamado de cantina, ficou alagado.

Ainda é cedo para contabilizar os prejuízos com o atraso, segundo Darci Dani, diretor executivo da Associação Gaúcha de Vinicultores (Agavi), mas o representante do setor ressalta que a Bahia está entre os cinco maiores compradores da produção gaúcha. “Diversos caminhos não podem ser percorridos. Estamos buscando outras alternativas de escoamento e isso deve causar problemas de atraso, mas estamos tratando com os clientes para que tenhamos capacidade de entregar, sem problemas de desabastecimento”, diz Darci Dani.

Crédito: Ana Lúcia Albuquerque

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