terça, 23 de abril de 2024
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ENTREVISTA COM GUILHERME ARAÚJO, DIRETOR-GERAL DA BRACELL BAHIA

João Paulo - 01/04/2024 05:00 - Atualizado 01/04/2024

Bahia Econômica – Quais são os maiores desafios que a Bracell terá em 2024 na Bahia?

Guilherme Araújo – Acredito que os desafios da Bracell sejam, salvo suas especificidades, muito similares aos de outros empreendimentos de grande porte, especialmente devido à instabilidade internacional provocada pelas guerras entre Rússia e Ucrânia e no Oriente Médio. É preciso ter um olho lá e outro aqui para manter o foco em nossa estratégia de crescimento sem perder de vista os riscos impostos pelas crises em outras regiões.

Falando especificamente da atuação na Bahia, a Bracell tem cumprido seu planejamento estratégico e investido nas operações florestais, industriais e logísticas de modo a ampliar sua participação no mercado. Como o desempenho geral nos últimos anos tem sido animador, com resultados muito interessantes em todos os níveis das atividades, nossos desafios seguem sendo desenvolver novos produtos, nos qualificar para atender a mais clientes e novos segmentos, modernizar as instalações, reduzir custos, atrair e reter talentos e fortalecer nossos processos de gestão, liderança e desenvolvimento de pessoas. Isso, claro, comprometidos com o desenvolvimento social e ambiental de nossas regiões alinhado com as metas e compromissos do Bracell 2030, que focam em ações de sustentabilidade para a construção de um legado sustentável em pilares importantes, como clima, biodiversidade, pessoas e comunidades.

Bahia Econômica – Como analisa o segmento da celulose para o ano de 2024?

Guilherme Araújo – Novos empreendimentos de celulose e papel têm sido anunciados, conduzidos e postos em operação nas diversas regiões do país. Isso evidencia a vitalidade do setor e contribui para uma forte movimentação da economia local e nacional. Cada nova indústria impulsiona e agrega a necessidade de dezenas de outros negócios de médio e pequenos portes para dar suporte às suas respectivas regiões. Então, o cenário é bastante positivo, apesar dos atuais conflitos internacionais. Por isso, olhamos para o futuro com otimismo e conscientes, no caso da Bracell, da necessidade de fazer a diferença em cada detalhe para nos distinguirmos no mercado cada vez mais competitivo.

Bahia Econômica – Qual é a expectativa para geração e empregos no setor em 2024?

Guilherme Araújo – O início das operações da fábrica de celulose da Bracell no estado de São Paulo, em 2021, contribuiu para estabilizar o número de empregos gerados pela empresa também na Bahia. Isso porque éramos obrigados a reduzir o número de empregos nas atividades florestais no estado nos períodos sem chuvas, principalmente pela redução dos plantios. Com a operação em São Paulo, a demanda por mudas se tornou constante e, como somos um dos principais fornecedores de mudas para lá, aumentamos e mantivemos, em caráter permanente, o número de colaboradores em nossos viveiros na Bahia. Para este ano, a unidade industrial da Bahia tende a ofertar um número significativo de empregos temporários em projetos de modernização de algumas áreas da operação industrial. Essas melhorias deverão criar novas vagas permanentes neste ano, mas, principalmente, a partir de 2025.

Bahia Econômica – Em relação ao cultivo do eucalipto, qual é a expectativa para 2024?

Guilherme Araújo – As condições climáticas têm sido objeto de atenção ainda maior, não apenas pelas possíveis interferências no ambiente e, por consequência, no desenvolvimento dos plantios de eucalipto, mas, também, por aumentarem exponencialmente os riscos de incêndios florestais. Mesmo diante do aumento de áreas afetadas pelo fogo em 2023, em relação aos últimos anos, o ritmo de abastecimento da fábrica com madeira não foi afetado. No entanto, as mudanças climáticas podem oferecer outros desafios ainda maiores, como o surgimento de pragas e doenças nas plantas com grande potencial de impacto para as operações no médio e longo prazo. Por isso, seguimos investindo fortemente em pesquisa e desenvolvimento florestal em nossas unidades no intuito de nos prepararmos com antecedência para cenários menos favoráveis. Este é o modo como buscamos assegurar a sustentabilidade das operações.

Bahia Econômica – Quais são as principais características da gestão ESG que a Bracell mais defende e dissemina e por quê?

Guilherme Araújo – A Bracell é um importante player do setor de base florestal no Brasil e, claro, com grande relevância para a Bahia. Esse posicionamento foi construído graças não apenas ao volume e qualidade dos produtos, mas pela responsabilidade com os processos internos e o modo sustentável como nos relacionamos com o meio ambiente e as comunidades vizinhas. Esse modelo de gestão – fortemente amparado pelo compromisso com a melhoria contínua e com o equilíbrio entre aspectos econômicos, ambientais e sociais do negócio – foi, sem dúvida, um norteador fundamental para chegarmos até aqui.

Atuamos ajustando o foco de todas as operações para que, agindo localmente com atenção a cada detalhe, possamos fazer a diferença globalmente para o meio ambiente e as pessoas. Para isso, formamos parcerias com governos e instituições da maior relevância em iniciativas como o Compromisso Um-para-Um, por meio do qual vamos igualar o total de hectares de plantio de eucalipto com o de vegetação nativa preservada, inclusive em áreas públicas.

Com o Bracell Social temos feito a diferença em programas voltados à educação, empreendedorismo e bem-estar das comunidades. Internamente, nossos valores fundamentais são sistematicamente abordados e já foram incorporados à rotina na tomada de decisões. Tudo isso leva em conta a filosofia de que o negócio da Bracell deve ser bom para a comunidade, o país, o clima e o cliente, pois, só assim, será bom para a própria empresa.

 

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